Homens&Pássaros

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Sábado, 26 / 12 / 09

Natal

Ontem foi o dia da grande festa da hipocrisia ocidental.

Este ano estou meio cansado... meio que desiludido.

Não sei se quero falar ou escrever sobre isto.

Fui ao shopping anteontem e a história é sempre a mesma: um bando de gente meio que endoidecida, passando uns sobre os outros à procura de algo que eles não têm a menor ideia do que seja.

Mês de dezembro é um mês horrível.

É o mês onde parte de mundo se resume em comprar, a outra em vender.

Mas como disse, eu não quero falar nisto.

Não quero falar nada, este ano eu só observei.

Fiquei quieto no meu canto e assisti, em silêncio, ao espetáculo assustador de uma sociedade ensandecida pelo consumo.

O Filho de Deus é apenas um mero detalhe, uma desculpa para a grande festa do capital de giro.

Observei: os homens estão cada vez mais distantes dos seus sonhos, das suas crenças, da sua humildade, da sua pureza, da sua liberdade, da sua bondade... os homens são apenas brinquedos manipulados por mãos invisíveis.

Os homens se alimentam e alimentam o veneno do sistema capitalista, onde pessoas são apenas cifrões desenhados nos olhos dos grandes magnatas do sofrimento humano, donos do planeta.

Mas, afinal de contas, somos apenas homens e nascemos e morremos em grande escala.

E sofremos em grande escala.

E o mundo continua.

E choram por nós durante um tempo muito curto.

E depois choram por outros.

E os dezembros se repetem.

E ontem foi natal.

Não costumo me envolver com este tipo de data.

Mas muita gente acredita que é um dia pra se ter paz.

Que é um dia de muita luz.

Eu acredito que a gente deveria ter paz e muita luz todos os dias.

E ser bonzinhos todos os dias.

E pensar nos desamparados todos os dias.

E Ser Humano todos os dias.

Acabei falando mais do que queria e do que devia.

E acho que sempre vou falar.

Mas deixando de ser rabugento por um segundo -  e atrasado - um Feliz Natal para toda a humanidade e um grande abraço para todos os leitores do Homens&Pássaros.

E um grande abraço também para o meu povo longe de mim, e para o meu povo perto de mim.

Jingle bell! Jingle bell! Jingle bell!

.
TõeRoberto

publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Quarta-feira, 04 / 02 / 09

ANDROIDES

Textos Escolhidos

 

O sistema capitalista está criando a sociedade de um homem só.

O homem de um emprego só, uma comida só, uma música só, um lazer só, um pensamento só... um homem só, mergulhado nos sonhos implantados pelos donos do poder.

Androides não são mais uma ficção: circulam nas ruas das cidades, na maior normalidade, conectados ao sistema por fios invisíveis, ondas eletrônicas... desejos uníssonos.

O sistema está criando um ser sem pés, rodas; sem cérebro, chips; sem vontades, ordens; sem poesia, metas; sem senso crítico... amém!

Um ser feio, sem essência humanitária, sobrecarregado de monetarismo e de fria individualidade.

Um ser gerado e montado para o sucesso: o sucesso do sistema que eles alimentam e adoram.

O Deus absoluto dos seus estímulos eletrônicos vazios.

Algum filósofo famoso, não sei se Aristóteles, Platão, Sócrates ou outro dizia algo mais ou menos assim:

"Para as crianças, nos berços, antes de dormirem, deve-se cantar sempre uma única canção de ninar, para que elas não aprendam e não sintam a possibilidade de mudar".

O sistema aplica esta filosofia há anos.

Em menos de um século os Androides não terão mais sexo, causa de muitas das mazelas dos seres humanos produtivos.

Seremos seres hermafroditas, presos à linguagem de algum software com I.A.

Bem-vindos, Androides Andróginos!

Até lá, graças a Deus, estarei morto!
.
TõeRoberto-post in jampa/pb

música: Variada
publicado por Antonio Medeiro às 05:00
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