Homens&Pássaros

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Sexta-feira, 20 / 11 / 09

A história

Era uma vez uma história que se recusava a ser escrita.

O escritor ia pra esquerda - ela, direita; queria sol - ela, chuva; ele, quente - ela, frio; ele, alegria - ela, tristeza.

O escritor iniciava um épico - ela, tragédia; um romance - ela, drama; uma poesia - ela, conto; uma crônica - ela, carta; um elogio - ela, crítica.

Era uma história camaleão.

O escritor, Palmeiras; ela, Corinthians.

O governo é; ela, não é.

O Brasil, uma beleza; ela, uma merda.

Os políticos estão; ela, não estão.

O forró; o samba.

O Nordeste; o Sudeste.

A morena; a loira.

Era uma história geniosa que queria escrever a sua própria história.

Tento convencê-la que no Brasil ninguém consegue escrever a sua própria história, sempre acontece algo que nos desvia da nossa história.

Mas ela não quer saber: ecologia, nem pensar!; miséria, nunca!; corrupção, não!; amor, eca!; esporte, argh!; isto, cansada!; aquilo, cansada! cansada!; aqueloutro, cansada! cansada! cansada!

Escorrega pra lá, pra cá e vai esvaziando todas as minhas possibilidades.

Começo de novo: Era uma vez...

Nada, silêncio absoluto!

A história se esconde atrás da sua ausência definitiva.

Desisto!

Nada de história, nada de nada!

Tudo vazio!

Só posso dizer....

Era uma vez...

Uma história que se recusou a ser escrita.

Era uma vez!

.
TõeRoberto

publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Quinta-feira, 23 / 10 / 08

QUE NÃO VOLTA MAIS

Textos Escolhidos

 

Lendo Cem Anos de Solidão me veio à memória meu antigo professor de matemática.

Não entendi o porquê, mas acho que por ser muito parecido com personagens do realismo mágico, da literatura latino-americana.

Dr. João!

Figura classuda, sisudo, justo, cabelos prateados, seu eterno terno de linho cinza-claro e seu humor irrepreensível.

"Seu Medeiros! - profetizava - o sr. nunca vai ser nada na vida!", ao entregar a minha prova, sempre de notinhas baixas.

Que vergonha!

"Seu Torquato - irônico - guarde o membrinho para brincar em casa!" Para o menino Torquato que mexia no piu-piu lá no fundo da sala.

"Quem foi?" - se passando por bravo - depois de levar uma bolada de papel grudado com cuspe bem no meio das costas. O menino Gueigue saindo da sala de mansinho.

"Ah, seu Salomão, não ameace o seu Medeiros para que ele lhe passe cola! Ele também não sabe!"

"Hoje, para fazer a prova, podem colar. Abram os livros!"

Ô tristeza! Era notinha baixa na certa!

O terno sempre cheio de picão. Andávamos com os bolsos cheios e ele era nossa vítima preferida. Via e fingia que não via.

Uma figura para se lembrar.

Os alto-falantes do pátio do colégio:

"Siempre que te pregunto/que cuando, como e donde/tu siempre me respondes/quizás, quizás, quizás..."

Havia, naquela época, um romance no ar.

Em março de 64, o romance e a música saem do ar.

Os coturnos e o toque de recolher entram nos pátios e nos alto-falantes das escolas.

Carregava isto comigo, precisava contar.

Só para relembrar aquele tempo que - espero - não volta nunca mais!
.
(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB

música: Quizás, Quizás, Quizás - Lucho Gatica&Pery Ribeiro
publicado por Antonio Medeiro às 05:40
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