Homens&Pássaros

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Quinta-feira, 26 / 11 / 09

O capeta

Ficar velho, ao contrário do que se pensa, é um barato!

Adrenalina pura!, como dizem os jovens.

O que é um salto de Bungee Jump perto da possibilidade de um derrame?

A corredeira de um rio caudaloso, um enfarte?

Um racha na madrugada, um aneurisma?

Um Armageddon, um reumatismo infeccioso?

Uma maconhazinha, um prozac?

Duas pernas quebradas, um Alzheimer?

Uma apendicite, um câncer de próstata?

Um rapel, uma hipertensão fatalizada?

05 trepadas, uma broxada?

O que pode ser mais emocionante - adrenalina pura mesmo! - do que abrir o resultado de um exame?

Do que ficar com os olhos fechados, de manhã, com medo de abri-los e estar morto?

Ficar velho, muito mais que os jovens, é viver no fio da navalha, é equilibrar-se no fio invisível que separa a vida e a morte... é descobrir, além de tudo, que não se é eterno.

E isso quando não fazemos papel de palhaço e rimos de nós mesmos.

Concorde!

Fui ao dermatologista ontem:

Um trem branco na cabeça, um vermelhão na barba, um descascado nos pés.

Um trem vermelho pra passar na cabeça, um troço branco pra passar na barba, um negócio amarelo para passar nos pés.

E um sabonete pra usar sempre.

Cheguei em casa, tomei um banho, me enxuguei, passei no corpo tudo que era de direito, vesti a roupa e comecei a sentir um cheirinho estranho.

Comecei a me cheirar e... cruz-credo!

Eu estava com cheiro de capeta!

Corri para o banheiro e comecei a ler as bulas: o danado do sabonete é feito de enxofre e enxofre desde que eu sou pequeno é o cheiro do capeta.

Agora imagine: um sujeito na meia-idade, na rua, num país absolutamente crente em Deus, com catinga de capeta.

Vai ser véia fazendo o sinal-da-cruz pra tudo quanto é lado e gritando: "te desconjuro, satanás!".

Por isto digo: nascemos cagando e morremos cagados!

Cagados, mas com a adrenalina ó!!!

.
TõeRoberto

publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Sexta-feira, 09 / 10 / 09

Se eu tivesse vergonha na cara

Se eu tivesse vergonha na cara eu teria nascido com mais vergonha na cara.

Eu jamais me acostumaria com o tamanho do circo que existe na capital do meu país.

E eu jamais seria o palhaço que trabalha de graça no circo brasiliense.

Eu educaria meus filhos sem medo de vê-los se transformar em pessoas oportunistas, pessoas safadas que acham que "já que todo mundo faz, eu também vou fazer".

Eu escreveria duzentas matérias por dia pra não deixar ninguém esquecer o que a mídia - quando é do seu interesse - joga pra debaixo do tapete.

Eu escreveria muito mais matérias deste teor, porque os assuntos estão no ar - todos os dias - em doses cavalares.

Eu gritaria 24 horas por dia: é muita safadeza pra um Brasil só!

Eu encabeçaria um movimento para dividir o Brasil em dois - ou três - para caber tanta gente safada, tanto trambiqueiro, tantos fatos desagradáveis que ocorrem no dia a dia da política e da economia nacional.

Eu acho que... se eu tivesse vergonha na cara, diria: "mundo mundo vasto mundo/se eu me chamasse Raimundo/seria uma rima/não seria uma solução".

Isto se eu tivesse vergonha na cara, o que não é o caso!

.
TõeRoberto

publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Sexta-feira, 30 / 01 / 09

PASSO

Poemas Escolhidos

 

A cada passo do passo
o espaço do passo
é o contrapasso no compasso
do cansaço do palhaço.

 

Cada passo do palhaço
no espaço do passo
não passa de um passo
fadado ao fracasso.

 

Se é fadado ao fracasso
cada passo do palhaço
no espaço do passo
então cada espaço
do palhaço no passo
não passa de um espaço
fadado ao fracasso
de ficar sem compasso.
.
TõeRoberto-post in jampa/pb

música: Variada
publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Quinta-feira, 27 / 11 / 08

A FACA

Poemas Escolhidos

 

Na linha artéria
do corte
a morte.

 

No fino extremo
do pico
o infinito.

 

No brilho cego
do aço
o palhaço:

 

o palhaço!
.
TõeRoberto-09:08-post in jampa/pb

música: Meu Mundo E Nada Mais - Guilherme Arantes
publicado por Antonio Medeiro às 05:01
Domingo, 12 / 10 / 08

O RITUAL

Poemas Escolhidos

 

Uma brisa intrínseca
trisca o mormaço.

 

Um vento humilde
rabisca o aço.

 

Um trovão arisco
balança o cadafalso.

 

Um relâmpago vivo
ilumina o palhaço.

 

Uma turbulência casta
purifica o falso.

 

Um mergulho fundo
invade o mundo.

 

Um sorriso largo
ganha espaço.

 

O lápis caminha
e o poema nasce.

.
(Fonte: Poema - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB

música: Pelo Vinho E Pelo Pão - Fagner
publicado por Antonio Medeiro às 04:03
Blog de TõeRoberto

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