Homens&Pássaros

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Quinta-feira, 24 / 03 / 11

Rimas e poemas

Esquece, amada!
os dentes destes poemas,
estes inúteis sacrilégios de rimar
amor e dor,
fúria e injúria,
e coisas mais
e vem comigo, em viagem sem destino,
à procura de uma rima mais astuta,
mais audaz.

Que tal patético?
Epilético?
Ou caquético?
E por que não um verbo feio
pra chocar?

Que tal calar?
Ou desprezar?
Ou consentir?
E por que não silenciar?

Que tal, amada,
uma rima desbotada
como sorrir,
aquietar-se
ou desprezar?

E por que não fazer o poema
sem a rima,
sem seu ritmo,
seu flutuar?

Por que não deixá-lo torto,
não deixá-lo morto,
não deixá-lo como ele está?

Por que fazer o poema
se não se acha uma rima
para fazê-lo voar?

Esquece, amada!
Não há poema para rimar,
não há rima para explicar,
não há nada pra se falar,
do sentimento profundo
de nós dois,
pobres poetas,
que vasculham o alfabeto
à procura das palavras
para o poema alinhavar.

Esquece, amada!
Nada mais vou procurar,
eu tenho medo por nós,
o poema é perigoso
e pode achar uma rima
para o verbo magoar.

E se eu achar esta rima,
a rima certa, dolorosa,
a rima dura,
a rima pura,
a rima rica para rimar?

Se eu achar esta rima
na certa , amada minha,
os corações vão sangrar.
(Santos/Sp/Parte Final/11:35hs)

publicado por Antonio Medeiro às 03:16
Terça-feira, 16 / 11 / 10

Palavras

Aquelas palavras doeram:

secas, molharam olhos
e queimaram sonhos;

rápidas, chegaram antes
e fecharam portas;

azedas, estragaram o leite
e deixaram fome;

enormes, esmagaram risos
e deformaram caras;

ferozes, destruíram vidas
e cavaram covas;

carnívoras, mastigaram a carne
e cuspiram os ossos.
(Eunápolis/ba/6:52hs)

publicado por Antonio Medeiro às 09:08
Domingo, 10 / 01 / 10

O acontecimento xxxv

Entrar de tempos em tempos
no fundo dos teus olhos
e repintar o brilho
refazer os sonhos
consertar palavras
decepar anseios
e ver-te encabulada
encolhida e nua
feito uma criança com fome
de mão estendida
no meio da rua.

.
TõeRoberto

publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Terça-feira, 06 / 10 / 09

É sempre um sonho

Sobretudo não seremos os vencidos
não seremos os vendidos
sobretudo não seremos passivos.

 

Sobretudo não haverá cabeças
não haverá códigos
sobretudo não haverá diferenças.

 

Sobretudo seremos todos homens
com ideias, palavras, sonhos
sobretudo seremos humanos
neste falso país onde eu os ponho.

.
TõeRoberto

publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Sábado, 01 / 08 / 09

O MUNDANISMO

A sensibilidade dos meus olhos
consiste em te olhar de lado
consiste no seu delirante beijo
de autopaixão
de autossugestão
de autossensibilização mundana.

 

O verbo consistir é o tema básico
do nosso amor putano
do nosso amor varzeano
do nosso amor
homem-mulher-cachorro
do nosso amor sem pompas.

 

Seriam necessárias duas palavras
duras como a pedra dura
do meu olhar castanho-duro
no teu ouvido cego
para que o coração saltasse
do peito morto
como um felino-feroz-vermelho
e já no chão
sem a harmonia azul-vital das veias
suspirasse o último suspiro de
amor sem dono
amor sem rumo
diante dos olhos assustados
do Sr. Barnard.

.

TõeRoberto-post in jampa/pb

música: Variadas
publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Terça-feira, 28 / 10 / 08

AS PALAVRAS

Poemas Escolhidos

 

Uma a uma as palavras vinham na boca dos mortos
e calmas e silenciosas infernizavam a noite
com seus cortantes conflitos.

 

Ganhavam asas e sobrevoavam a taciturna angústia
dos que lá se encontravam.

 

Os mortos falavam:
e dos olhos, cabelos
nariz, pele, boca, ouvido
as palavras saltavam
e forjavam na noite fria
os sonhos daqueles mortos
que em profundo silêncio,
nas mãos uma taça vazia,
erguendo um brinde à vida
palavras geladas bebiam.

.
(Fonte: Poema - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB

música: Strangers In The Night - Nicolas de Angeli
publicado por Antonio Medeiro às 05:25
Sexta-feira, 24 / 10 / 08

À NOITE

Poemas Escolhidos

 

À noite violentamos nossos sonhos
acariciamos e esfolamos nossos vôos
fragmentamos em poeira nossos olhos
entupimos com detritos nossas bocas
mergulhamos no profundo do que somos
no espaço acinzentado do cansaço
na esquecida ruína desse medo
na pegajosa baba desse asco.

 

À noite buscamos trilhas esquecidas
cuspimos violentos velhas faces
mordemos com veneno as palavras
trucidamos com navalhas nossas carnes
ensangüentamos sem remorsos nossos cílios
voamos meio cegos nos olhares
e caímos feito pedras deslocadas
nas ruínas onde estamos mergulhados.

 

À noite somos vampiros embriagados
amamos e odiamos a humanidade
vivemos e matamos a cada abraço
para depois como morcegos asquerosos
voarmos saciados para casa.

.
(Fonte: Poema - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB

música: The Impossible Dream - Andy Williams
publicado por Antonio Medeiro às 05:10
Blog de TõeRoberto

Adamo&Isabelle

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