Homens&Pássaros

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Quarta-feira, 24 / 02 / 10

Com certeza

Com certeza você tem mãe!

Eu também tenho mãe!

Mas conheço gente que não tem mãe.

Não porque morreu, mas porque não foi parido, foi cagado.

Gente que foi cagada não tem mãe.

Os cagados estão por todos os lados.

Normalmente é gente com grande desvio de personalidade.

Não são pessoas comuns.

Não andam pelas ruas como os paridos.

Geralmente são pessoas que têm grande poder de decisão sobre os outros ou pessoas que morrem de vontade de ter grande poder de decisão sobre os outros.

Estão no topo do mundo ou estão lambendo as botas dos que estão no topo do mundo.

Os cagados são os patrocinadores, os promotores das guerras, da fome, do atraso político e social dos países; manipulam os bens em benefício próprio e, muitas vezes, dirigem os destinos de milhões de pessoas como se fossem de sua propriedade. Ou morrem de vontade de fazer isto e vivem de pequenas malvadezas na base ou no meio da pirâmide social.

Os cagados nada entendem das questões humanitárias.

São egocêntricos, personalistas, messiânicos e tendem a ser supernarcisistas - estão sempre com a cara pregada na parede da mídia.

Os cagados só amam a si mesmo!

Têm o nariz bem grande e o metem frequentemente na vidinha comum dos paridos.

Um dos personagens mais famosos dos cagados foi - e ainda é G.W.B., acompanhado de um monte de cagadinhos que viviam lambendo as suas botas e não tiravam o seu saco das mãos.

Nós, os paridos, ainda somos pessoas que leem poemas, amamos os pores-do-sol, os luares, tomamos cervejas nos botecos das esquinas, jogamos bola no campinho da rua de cima, nadamos em ribeirão, namoramos no portão, temos amigos e somos completamente contras as guerras, os armamentos, o excesso de trabalho, o desemprego, a poluição, a destruição do meio ambiente, a miséria, o preconceito, a destruição da cultura e dos direitos dos povos.

Os paridos estão sempre batendo de frente com os cagados.

Pouco adianta.

Os cagados são o que o mundo é.

Preenchem com perfeita exatidão o lado negro da vida.

E não têm mãe!

São os donos do dinheiro do mundo e, no momento, estão brincando de bolsa de valores e de subir e descer o dólar, suas diversões favoritas.

Enquanto isso os cagadinhos fazem leis, têm orgasmos, e vivem falando merda na televisão.

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TõeRoberto-05:098

publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Sábado, 30 / 05 / 09

BANHEIRO PÚBLICO

Outro dia entrei no banheiro público de um lugar chique e fiquei estarrecido.

Nas paredes e portas os desenhos e as inscrições de uma civilização decadente.

Testemunhos como:

"Caga cantando que a bosta sai dançando". "Comi muito a puta da tua mãe". "Adoro uma rola". "Me come ou me mato". "Mirtes, a vulva incandescente 36696969". "O futuro do Brasil está nas suas mãos". "Maluf esteve aqui". "Zeca Pereira, aluguel de peia". "Zilda bundona". "Arlete, a cachorrona do boquete". "Lula 2010". "Quando estou no banheiro/me dá uma agonia profunda/a bosta bate na água/a água bate na bunda". "Quem tem cu não faz acordo com pica". "Na frente é certo mas não é justo/atrás é justo mas não é certo". "Eu finjo de morto pra comer o cu do coveiro". "Joãozinho esteve aqui: tu é bão".

Mijo no chão, merda no vaso, batom nas paredes... um retrato lamentável de um país de Terceiro Mundo.

Se o mundo acabasse hoje e descobrissem esses desenhos e essas inscrições nos estudariam como uma civilização obscena e suja.

Creio que o que determina o processo civilizatório de um homem não é a invenção da roda, da escrita, do motor, da penicilina, do rádio, da televisão, da internet, entre outras.

O que diferencia o homem de um animal comum é o fato de o homem civilizado usar o vaso sanitário e limpar a bunda.

De resto, o que vejo nos banheiros públicos sãos os sinais claros e lamentáveis de um povo mal-educado e indubitavelmente porco.

Higiene é vida!

O Homem não pode viver na merda!

Só se for brasileiro!

Falei!!!
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TõeRoberto-post in jampa/pb

música: Variada
publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Quarta-feira, 06 / 05 / 09

MANUAL DO RESSACADO

Bebi pra cacete - ontem - pra ficar de ressaca hoje e escrever este manual. Só pra ser o mais realista possível. Isto é o que pode ser chamado de Arte Visceral.

A tela do monitor tá cheia de luzes piscando. Não sei se eu que tô piscando luzes ou se é monitor que tá luzindo piscados.

Mas vamos lá:

Sintomas clássicos da ressaca - os que eu estou sentindo agora:

"Ai, gira/girou..." Tonteira. Leseira. Falta de chão. Vista turva. Zumbidos nos ouvidos. Problemas com luzes, sol, sons, broncas e sermões. Sensibilidade a cheiros (principalmente frituras). A cabeça dói pra cacete (um trem de carga passa dentro dela a cada 10 segundos). Um troço vivo dentro do estômago passeia pra cima e pra baixo, querendo sair. Uma dorzinha de barriga chata. A cama não para no lugar. Roda, roda, roda, quer sair pela janela. Uma sede interminável. Um gosto de não sei o quê na boca. Uma vontade danada de ficar encolhidinho num canto. Tristeza. Sofrimento. Depressão. Desespero. O dia que não passa. Vontade de morrer. Uma forte vontade de se matar, de sumir... uma saudade danada da mãe.

Ah!, e nunca se esqueça: cu de bêbado não tem dono. O que não é o meu caso, é claro!

Com uma hora de ressaca aprendi:

A ressaca nos faz melhores, humildes, quietos, promesseiros, carentes... e crianças novamente. Já chamei a minha mãe umas 10 vezes. Só que ela mora a 3000 kms de distância. Chame a minha mãe, pelo amor de Deus!: eu quero deitar no colo dela e ficar bem quietinho.

Se acordar de ressaca nunca acenda a luz. Ressaca e luz não combinam. Sol, então, nem falar. Ressaca é bom em dia de chuva bem frio: quarto escuro, embaixo das cobertas - quietinho - caldinho de batata bem quente e, de vez em quando, um suquinho de laranja. Ah! não se esqueça do Engov. Você já tomou o antes, o durante, agora é a hora de você tomar o depois. Toma logo uns 03 pra ver se o trem para de passar dentro da cabeça.

Voz: ai! Som: ai! Luz: ai! Bronca do amorzinho: ai!

Não se trabalha em dia de ressaca: a possibilidade de você fazer merda e ser demitido é muito grande. Também não se procura emprego em dia de ressaca: vai que você arruma.

Escovar os dentes muitas vezes para tirar aquele gosto, qual é mesmo? Cada um tem o seu: corrimão de repartição pública, coturno de soldado, cabo de guarda-chuva, cédula de 01 real, apoio do metrô, roleta de ônibus, taco de bilhar, botão de elevador, cordão de descarga de vaso sanitário, puta que pariu de táxi... merda mesmo!

Jamais passar perto de um pedaço de bacon cru, igual aquele que você comeu ontem. Quanto foi? 300 gramas?

Ah! e aquele caldão de mocotó que você tomou para encerrar a noite. Procure apagá-lo de sua memória. Proíba-se de pensar nele senão vai dar merda.

Tô falando você, mas foi tudo o que eu fiz ontem.

E vou te dizer: Eu tenho um tio que já tentou se matar umas 10 vezes por conta de ressaca. Quando ele amanhece no estado, a família corre e esconde facas, cordas, armas senão ele faz merda.

Também tive uma namorada que toda vez que ficava de ressaca pedia pra eu acabar com o sofrimento dela: tipo matar mesmo.

Outra coisa: tenha muita calma porque o dia do ressacado é longo e cheio de sofrimentos. Tv, cama, banheiro, janela, tv, cama, banheiro, janela. A gente não sabe o que quer. Tá tudo ruim... e bota ruim nisto!

Nunca marque compromisso nenhum em dia de ressaca. Jamais! Nem para encontrar a Sharon Stone... ou o Brad Pitt!

Nunca deixe contas pra pagar em dia de ressaca, senão você vai pagar juros, porque as filas do Bradesco e ressaca não combinam.

Muito importante: fique bem encolhidinho na hora do sermão do amorzinho. Aumente o seu sofrer. Ela vai falar, falar, falar pra cacete, mas depois ela vai ficar com dó e vai na cozinha fazer um caldinho de batata quente para você. Amorzinho de ressacado tem um coração do tamanho do mundo.

Prometa umas 50 vezes durante o dia que você nunca mais vai botar cerveja na boca. Prometa que você vai virar crente. Que vai virar pastor da Universal. Prometa que você vai virar corintiano.

Procure dormir durante o dia para se esconder do sofrimento.

À tarde, quando levantar, tome um banhozinho bem quentinho, se vista e vá até a cozinha. O amorzinho já preparou um ranguinho mais reforçado pra você. Sente-se, coma feito um cavalo, tome um cafezinho bem quentinho, sente na frente da tv e comece a esquecer sofrimentos, promessas... e a vergonha!

Vá até a cozinha, abra a geladeira, pegue aquela Brahma que escapou de você ontem por milagre, abra, corte um pedação daquele bacon cru e comece tudo de novo.

Rapaz, você é um sujeito muito sem-vergonha!

Já que começou de novo, não se esqueça do Engov: 01 antes...

Benhê, cadê o meu caldinho de batata?
.
TõeRoberto-post in férias por aí/br

música: Variada
publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Segunda-feira, 22 / 12 / 08

O ESPIÃO

Textos Escolhidos

 

Eta mundinho sem privacidade!

Todo mundo sabe da sua vida, a cor dos seus olhos, a marca da sua cueca, o prato que você mais gosta... suas preferências.

Cuidado! Alguém está sempre de olho em você!

Você não é o personagem da porcaria do Big Brother da Globo, mas do BIG BROTHER do 1984, de George Orwell, aquele!!!...

Veja só:

Outro dia fiz aniversário. Os meus filhos, meus amigos, minha mãe me ligaram. Tudo normal!

Mas qual não foi minha surpresa ao abrir a minha caixa postal: empresas do Brasil inteiro me mandaram mensagens. Fiquei emocionado. É chique, não é?

Uau, a primeira mensagem em inglês! A minha privacidade atravessou fronteiras.

Coisas assim:

Anônimo: "Congratulations! I..."

Shoptime: "TõeRoberto, seu presente..."

X&Y: "Reservamos a máquina..."

Magazineluiza: "TõeRoberto, hoje..."

TC Presente: "Você vai ganhar..."

JJ Ltda: "Seu presente em 24..."

Todos com uma intimidade!... E o melhor: todas me oferecendo presentes! Infelizmente, não abri as embalagens.

Pensei: cacete!, os caras sabem das coisas!

Desconfiado, levantei-me da cadeira, olhei embaixo da mesa, embaixo das camas, atrás das portas, atrás das cortinas e dentro da geladeira.

O espião está na sua casa! Pode ser o seu gato ou o seu cachorro!

Ele sabe o seu nome e onde você mora!

Cuidado! Durma sempre com um olho aberto. Na calada da noite, o Grande Irmão te observa.

A privacidade é uma palavra morta.

TõeRoberto-10:25-post in jampa/pb

música: Pecado Capital - Paulinho da Viola
publicado por Antonio Medeiro às 08:30
Quinta-feira, 18 / 12 / 08

O ANIVERSÁRIO

Textos Escolhidos

 

Lembro-me, como se fosse hoje, do dia do meu nascimento.

Através dos olhos da minha mãe, lá no céu, eu via a lua: grande, pensativa, majestosa.

Pelas suas narinas eu sentia o forte perfume das damas-da-noite e me sentia tranqüilo.

Através da sua mão, na barriga, eu me sentia protegido e pronto para o maior evento da minha vida.

Pelos seus ouvidos, ouvia a orquestra:

"Ai, ai, ai, ai/está chegando a hora/o dia já vem raiando meu bem/eu tenho..."

Mas eu não nasci assim... digo, assim de qualquer jeito; tipo: numa cama ou num hospital.

Você não sabe, mas o Brasil preparou uma grande festa para a minha chegada: bumbos, tambores, zabumbas, pistons, clarinetas, saxofones, tubas, cornetas, sanfonas, fantasias, cantos, danças, muita euforia, alegria e ... as trombetas!

Pelos sentidos da minha mãe eu participava da festa: era muita música... música... música, muita alegria... alegria, vibração... muita vibração!

Festa! Festa! Foram muitos dias de festa!

No dia em que nasci eu senti que a festa estava no seu auge.

Minha mãe dançava de alegria, as pessoas em êxtase, as orquestras extrapolavam os seus limites.

O Brasil, ansioso, aguardava.

De repente, do nada, sem mais nem menos, às 4:10 da manhã, de uma quarta-feira de cinzas, eu cheguei.

Caí e saí pulando no meio do salão cheio de gente.

Não tivesse Macunaíma nascido em 1926...

As pessoas: "Chegou/chegou/General da Bandaê, ê, ê..."

A orquestra: "Ma ma ma ma mãe eu quero/mamãe eu quero/mamãe eu quero mamar/me dá a chupeta..."

Minha mãe: "Menino/você é um docinho de coco/tá me deixando louca/tá me deixando louca..."

Eu: "Daqui eu não saio/daqui ninguém me tira..."

E aqui estou e... confesso: o mundo é muito melhor do que eu esperava!

Chega de conversa! Eu vou é sair, comprar umas cervejas, um engov, um tira-gosto, colocar o cd do Chico para tocar e vou encher a cara.

Parabéns para mim, naquela  data...
.
TõeRoberto-10:21-post in jampa/pb

música: O Bêbado E A Equilibrista - João Bosco
publicado por Antonio Medeiro às 05:17
Quinta-feira, 30 / 10 / 08

A 1ª PEQUENA HISTÓRIA DE UM ACONTECIMENTO

Poemas Escolhidos

 

Era um verão calmo
e os homens verde-amarelos
eram calmos como o verão calmo.

 

Na fazenda do cel. tinoco os homens comiam
dia sim dia não dia sim dia não
o feijão preto da tulha preta do coração preto
do cel. tinoco.

 

Pássaros negros, digo, pretos
esvoaçavam no ventre preto da mãe dos pretos/brancos
e comiam as frutas pretas fecundadas na noite.

 

Era um verão calmo na fazenda do cel. tinoco
que com sua tv preto&branco ligada
noite adentro
fazia malvadezas misteriosas no pantanal
da vida.

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(Fonte - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB

música: Angels - Enya
publicado por Antonio Medeiro às 05:28
Sábado, 25 / 10 / 08

ÁRVORE DA FERRADURA

Textos Escolhidos

 

A Árvore da Ferradura faz parte do meu imaginário.

É coisa perdida nos longes da minha infância.

Casos de assombração: uma ferradura fixada numa árvore; um mineiro dado a histórias e... pronto!

A Árvore da Ferradura tornou-se a residência do diabo.

Por ela muitas noites eu passei, junto com meu pai e minha mãe, a caminho de casa, na roça.

Todas as vezes o mesmo assombro, o mesmo medo, o mesmo susto.

Anos depois, dediquei a ela um pequeno texto.

Assim:


O diabo aparecia embaixo da Árvore da Ferradura. Houve gente que viu e ficou branca de medo, tal a feiúra do bicho.
Os olhos de fogo, garras pontiagudas, chifres enormes, dentes muito brancos, compridos, que pingavam sangue.
Era lá na Árvore da Ferradura que todas as sextas-Feiras, à meia-noite, o danado aparecia.
Constâncio vinha da cidade no seu cavalo magro,trotão; sexta-feira, já perto da meia-noite.
Cabeça vazia, bêbado, cantarolava alegremente sem qualquer preocupação.
A Árvore da Ferradura já perto. O cavalo refugou e quis voltar. A espora sangrou as virilhas sem dó. O diabo no barranco, estancado.
Constâncio, mão na cintura, trinta e oito na mão, o grito:
- Lá vai fogo!
O diabo está quieto.
- Lá vai fogo!
O estampido encheu a noite. O diabo emborcou-se com a mão na barriga e, sem um gemido sequer, rolou mansamente do barranco na figura do compadre Gumercindo, muito dado a histórias de assombração.


Hoje, há muito tempo, a usina de açúcar e álcool arrancou, do imaginário dos mais velhos, a Árvore da Ferradura, suas histórias e a cruz do compadre Gumercindo.

O diabo foi obrigado a transferir a sua residência para outra freguesia.
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(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB

música: Viagem - Baden Powell
publicado por Antonio Medeiro às 05:32
Blog de TõeRoberto

Adamo&Isabelle

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