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Sábado, 07 / 03 / 09

PALAVRÃO

Dizem que a música "O Meu Amor" de Chico Buarque, no regime militar, foi censurada pela mulher de um general ou ministro - não sei direito.

Dizem que a mulher estava deitada vendo tv, quando ao ouvir a música:

 

"O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai!"

 

Ficou histérica: "Querido, querido, que vergonha! Você ouviu a letra da música? Ela falou coxas, querido... coxas! Que horror! Que indecência! Que vergonha! Coxas, querido... coxas!".

No outro dia, dizem, a música foi censurada.

O tempo, não sei, mas no mínimo a uns 30 anos atrás.

Outro dia, a perua Ana Maria Braga em conversa com uma psicóloga no seu programa Mais Você, soltou no ar a frase:

"Quem não era virgem naquela época (anos 50) era p...".

Minha reação: Querida, querida, que vergonha! Você ouviu a Ana Maria Braga? Ela falou puta, querida... puta! Que horror! Que indecência! Que vergonha! Puta, querida... puta!

Pena que eu não posso tirar a perua da Ana Maria do ar!

Agora, concorde comigo: gozação à parte, você não acha que a moralidade da imprensa e de parte da sociedade brasileira é meio fajuta - um sabe que o outro fala, mas finge que não sabe.

A palavra puta valeu nota em jornais, na internet etc etc etc.

Cacete! Palavrão é cultura nacional: a imprensa publica, os políticos se agridem, os torcedores gritam, os motoristas praticam, as novelas falam, os jogadores se atiçam, os amantes cochicham, os humoristas abusam, as músicas... bem não vou nem falar das músicas, principalmente do Axé.

O brasileiro, no geral, usa e abusa do palavrão, inclusive na literatura - tipo o orgulho nacional Jorge Amado.

Existem certas palavras que já estão incorporadas ao nosso dia-a-dia e não deveriam ser tratadas como se proibidas fossem: puta, caralho, foda, cacete, porra são algumas delas.

Interessante, ainda, como as palavras servem como ponto de referência para o domínio cultural do Sudeste em relação ao resto do país.

Por exemplo: a Globo não usa a palavra puta em suas novelas porque choca a turma do Sudeste.

Mas usa a palavra quenga.

A palavra quenga é usada pelo nordestino com o mesmo agravo moral da palavra puta.

Porém, a palavra quenga só chocaria a turma do Nordeste, nunca o do Sudeste que a vê meramente como uma palavra engraçada. Muita gente nem sabe que quenga = puta.

É ou não é safadeza!

Mas estamos no século 21 e é hora de deixar o excesso de moralismo de lado e adequar a linguagem aos novos tempos.

A censura nunca é bem-vinda!

De resto, só posso dizer:

Porra!, a Globo e a Ana Maria são fodas!

Ih!, estas também não pode!

A vantagem é que sou um bosta, por isto posso falar foda!

Puta, também!

Caralho!!!
.
TõeRoberto-post in férias por aí/br

música: Variada
publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Quinta-feira, 23 / 10 / 08

QUE NÃO VOLTA MAIS

Textos Escolhidos

 

Lendo Cem Anos de Solidão me veio à memória meu antigo professor de matemática.

Não entendi o porquê, mas acho que por ser muito parecido com personagens do realismo mágico, da literatura latino-americana.

Dr. João!

Figura classuda, sisudo, justo, cabelos prateados, seu eterno terno de linho cinza-claro e seu humor irrepreensível.

"Seu Medeiros! - profetizava - o sr. nunca vai ser nada na vida!", ao entregar a minha prova, sempre de notinhas baixas.

Que vergonha!

"Seu Torquato - irônico - guarde o membrinho para brincar em casa!" Para o menino Torquato que mexia no piu-piu lá no fundo da sala.

"Quem foi?" - se passando por bravo - depois de levar uma bolada de papel grudado com cuspe bem no meio das costas. O menino Gueigue saindo da sala de mansinho.

"Ah, seu Salomão, não ameace o seu Medeiros para que ele lhe passe cola! Ele também não sabe!"

"Hoje, para fazer a prova, podem colar. Abram os livros!"

Ô tristeza! Era notinha baixa na certa!

O terno sempre cheio de picão. Andávamos com os bolsos cheios e ele era nossa vítima preferida. Via e fingia que não via.

Uma figura para se lembrar.

Os alto-falantes do pátio do colégio:

"Siempre que te pregunto/que cuando, como e donde/tu siempre me respondes/quizás, quizás, quizás..."

Havia, naquela época, um romance no ar.

Em março de 64, o romance e a música saem do ar.

Os coturnos e o toque de recolher entram nos pátios e nos alto-falantes das escolas.

Carregava isto comigo, precisava contar.

Só para relembrar aquele tempo que - espero - não volta nunca mais!
.
(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB

música: Quizás, Quizás, Quizás - Lucho Gatica&Pery Ribeiro
publicado por Antonio Medeiro às 05:40
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