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Terça-feira, 23 / 06 / 09

VAGINA

Sem preconceitos, quero falar da vagina:

Abocanha-caralho, acarajé de pelo, aranha, atiça rola, bacurinha, bandida, bigoduda, bironguina, buceta, caetana, carne mijada, cheirosa, desdentada, desejada, desgraça de macho, encrenca, espanta-viado, esperançosa, faminta, feiosa, fogosa, ganha-pão, gereca, grelho, hagibrina, hururu, inferno, ingrata, inominável, jóia, jubiraca, jurupoca, ki cheirinho, kona, lambedeira, lambuzada, lindinha, mãe da vida, majestade, mardita, naruska, nascedouro, ninho de cobra, olhuda, ordinária, ostrinha, paga-conta, pecado, perereca, periquita, perseguida, quebra-pinto, querida, rachada, recreio, ritinha, safada, sem-vergonha, suvaco-de-coxa, tabaca, tarraqueta, testa larga, urna, usurpadora, valiosa, viela funda, vulva, xana, xenga, xoxota... vagina etc etc etc.

Ruivas, negras, castanhas, galegas, brancas, pixains, enroladas, lisas, carecas - não importa: a vagina é um perigo, uma aventura que queremos viver.

É arma secreta guardada a 7 chaves.

A vagina é a perdição de metade da humanidade. Por ela derrubam-se governos; erguem-se templos; fortunas evaporam; promessas são feitas. Por ela homens e mulheres se aprisionam, bebem, fumam, não dormem, lutam, se matam... matam!

É o objeto de desejo da felicidade masculina... e feminina.

Por ela rastejamos, tomamos banho, ficamos sujos, latimos, temos emprego, dinheiro, carro, poder... por ela levantamos e deitamos a cada dia.

A vagina, ao contrário do pinto, só tem uma cabeça. Inteligentemente ela deixa o pinto pensar que é ele quem manda no mundo.

Recatada, se oferece aos poucos.

Esperta, só uma encostadinha.

Dengosa, ah, amorzinho!

Inocente, só a cabecinha!

Maquiavélica, vestido branco e flores na janela.

É a senhora absoluta do lazer. Com uma vagina nas mãos não precisamos de dinheiro, de energia elétrica, de água ... comida. É um brinquedo maravilhoso, fantástico. A gente usa, usa, usa... lavou, tá novinha em folha, pronto pra ser usada novamente.

Mas não se meta com a vagina!

Para nós, que só pensamos com a cabeça errada, os resultados são imprevisíveis: maridos traídos, doenças, crianças, preocupações: "Que merda que eu fiz!". "Tô ferrado!". "Minha mãe me mata!". "O corno me mata!". "Minha mulher me capa!". "Vou ser pai!". "Tô doente!". "Meu Deus!". "Meu Deus!". "Meu Deus!".

Mas e daí? A vagina é a felicidade perseguida.

Somos escravos absolutos da sua generosidade: à luz nos trouxe, à embriaguez do prazer nos conduz.

Sem ela a vida seria... Deus nos livre! Sem ela... não gosto nem de pensar!

Uma boa mãozada para a vagina, ela merece!

E vê se fica comportado aí, ô rapaz!
.
TõeRoberto-post in jampa/pb

música: Variada
publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Sexta-feira, 31 / 10 / 08

O ESPELHO

Textos Escolhidos

 

Estive pensando: o que seria de nós se não existisse o espelho?

O espelho não serve só para pentearmos os cabelos, escovarmos os dentes e fazermos a barba, entre outras coisas.

É, também, a nossa consciência.

Humor, dor, perspectiva, preocupação, tristeza, choro, riso, euforia, decepção, raiva, ira, alegria: está tudo lá.

No espelho podemos chamar a nossa atenção. Podemos nos punir. Podemos ter uma conversa franca com a gente mesmo. É o único momento que ficamos cara a cara com esse ser complexo e único: o nós!

O espelho é, além de tudo, o nosso crítico mais feroz.

Quantas vezes você cometeu algum ato infame e depois ficou morrendo de vergonha na frente do espelho?

Quantas vezes você mostrou língua para você mesmo?

E o dedo?

Vai me dizer que você nunca se chamou de babaca na frente do espelho?

Nunca dançou pelado e riu de você mesmo?

Nunca ficou com a cara lambida?

E a autocrítica: Tô gordo! Tô velho! Tô feio! Tô acabado!

O espelho expõe a nossa vaidade.

Perdemos horas e horas na frente do espelho corrigindo as nossas imagens distorcidas.

O espelho, redundantemente, é o reflexo de nós mesmos.

O espelho acompanha o nosso envelhecimento, é um diário das mudanças dos nossos rostos.

É muito paciente, nos envelhece devagar e sem sustos.

Reflete, dia após dia, como se fosse um conta-gotas, as mudanças: uma ruga no rosto, hoje. Um cabelo branco, amanhã. Uma barba branca, depois de amanhã.

O espelho é mágico.

Em um só cabe a humanidade inteira e com uma verdade incontestável: ele não deixa resíduos dos rostos nele refletidos, o que o torna muito seguro para nele refletirmos, escondidos, a nossa solidão irrefletida.
.
(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB

música: Esquinas - Djavan
publicado por Antonio Medeiro às 05:26
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