Homens&Pássaros

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Terça-feira, 10 / 08 / 10

Dentro da minha cabeça

Você não faz a menor ideia do que tenho dentro da minha cabeça.

Não faz a menor ideia do meu acervo pessoal, do que vai morrer comigo quando eu parar de respirar.

Tem ideia dos prazeres, das alegrias, dos horrores, das tristezas... de tudo, enfim, do que sou feito?

O arquivo pessoal de um homem é algo espantoso e assustador, não deveria morrer com ele.

Fosse eu um HD e você acessasse, ficaria eufórico e horrorizado.

Fotos, textos, falas, montanhas, praias, rios luares, pores-do-sol, comidas, pessoas, esportes, crianças, flores, frutos, florestas, festas, risos, bebidas, paixões, amores, abraços, carinhos, afetos, risos, sonhos... testemunhas plenas de toda a parte boa da vida de um homem.

As guerras da Coreia, Vietnã, Iraque I, Iraque II, Afeganistão, Líbano, Malvinas; fome, terremotos, maremotos, secas, inundações, ira, vingança, mágoas, rancores, tragédias, dores, mortes, torturas, traições, violências, egoísmos... testemunhas plenas de toda a parte ruim da vida de um homem.

Este é o fardo que carrego vida afora: o meu testemunho vivo da riqueza cruel da dualidade do ser humano.

Às vezes a parte boa me toma e me faz vivenciar um belo final de semana ao lado daqueles que eu amo.

Outras vezes a parte má vem à tona e declaro guerra ao meu vizinho, à minha esposa, aos meus filhos... aos meus amigos.

Às vezes declaro guerra a mim mesmo.... às vezes faço um tratado de paz e ergo um muro entre as minhas duas metades.

E vou, aos trancos e barrancos, carregando na consciência o peso da minha culpa e a leveza da redenção dos meus pecados.

E digo a quem estiver disposto a ouvir: nesta vida maravilhosa e cruel não existe ninguém inocente... nem culpado!

Só existem os tolos que acreditam no bem e no mal... como eu.

O que não me impede de lhes dizer: você não faz a menor ideia do que tenho dentro da minha cabeça.

Só posso dizer que pesa, dobra a minha coluna, mas também me faz flutuar e deixa minha alma branca... pura.

Sou apenas um homem falando sobre a memória da sua vida.

Nada mais nada menos!

publicado por Antonio Medeiro às 10:32
Domingo, 08 / 11 / 09

Eu posso dizer

Eu posso dizer:

Que sou um cidadão sensato.

Não cuspo no chão.

Não jogo lixo na rua.

Não enfio o dedo no nariz na frente de qualquer um.

Não peido em público... desconhecido.

Não voto na direita.

Já fui petista, hoje não sou nada.

O Lula se deu bem como político, se fudeu como pessoa.

Amo falar besteira.

Acho o papa um babaca.

Não ouço pagode.

Não leio o Paulo Coelho.

Adoro o Viola de Bolso.

O político brasileiro é um infeliz.

A Globo idiotizou o Brasil.

Não gosto do Galvão Bueno.

Não suporto o Faustão.

Tenho horror ao Gugu.

Não confio na Veja.

Não gosto do Serra, do Sarney, etc... e do PSDB de São Paulo.

Sou Palmeirense.

Flamenguista no Rio.

Não acredito em Deus.

Nem no diabo.

Não convivo com nazistas/fascistas.

Adoro animais.

Quero que o Bush/Obama se fodam.

E com ele todos os filhos-da-puta do mundo!

Amo cinema.

Poesia.

Conto.

Romance.

Tenho trocentos amigos.

Detesto violência.

Não gosto de frescura.

Sou um duro.

Apaixonado por pores-do-sol.

E nasceres da lua.

Eu amo o mar.

O Nordeste.

Tenho companheira.

Filhos.

Netos.

Animais.

Sou de peixes.

Sou contra todas as guerras.

A favor de todos os diálogos.

Não desejo o mal.

Nem sou o dono do bem.

Trepar é algo maravilhoso.

Cozinhar um bom prato também.

Tomar aquela cervejinha idem.

O cigarro já foi meu Deus.

Hoje é uma lembrança.

Saúde é tudo.

Curtir a vida é o máximo.

Ter saudades dos amigos, sempre.

E...

E poder dizer sem medo de errar:

Caralho, sou um sujeito feliz!!!

E... obviamente, só por isto sou sensato!

E... não gosto de incrédulos!!!

.
TõeRoberto

publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Domingo, 18 / 10 / 09

Nós objetos

É de nós que permanecerão os edifícios,
as ruas, a sociedade, a tecnologia;
é de nós que ecoará a sinfonia
dos bruxos, dos duendes, dos demônios.

 

É de nós que extrairão o sangue quente
pra manter e perpetuar outras vidas,
é de nós que renascerão os templos,
os castelos, pela história esquecidos.

 

É de nós que saciarão a eterna fome
dos abutres, das hienas, dos mendigos;
é de nós que retirarão a argila
pra fazer um ser moderno do antigo.

 

É de nós que ecoarão as queixas,
as dores, os lamentos, os castigos;
é de nós que sugarão a doce vida
pra encher de ouro o bolso dos amigos.

 

É de nós - sim é de nós! - o povo maldito
que planejarão e erguerão a nova terra,
é de nós, os tolos vencidos
que renascerão e se alimentarão as guerras.

.
TõeRoberto

publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Blog de TõeRoberto

Adamo&Isabelle

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