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Segunda-feira, 18 / 05 / 09

TROÇO

Asdroaldo procurava uma cueca na gaveta de calcinhas quando deu de cara com o Troço.

Quase teve um troço!

Olhou Adneide dormindo. Olhou para o Troço. Olhou Adneide dormindo.

Não pegou o Troço. Abriu a porta do guarda-roupa, tirou a toalha da cintura e ficou observando o seu membro no espelho: cabisbaixo, meio torto para a esquerda, o saco escrotal murcho - pendurado - o membro dormindo com a cabeça apoiada sobre ele. Deu um tapinha pra cá, um tapinha pra lá. Morto estava, morto ficou.

Foi até a cama, puxou o cobertor de Adneide e ficou observando: a mulher - gostosa - só de calcinha, sem sutiã. Olhou para o seu membro no espelho. Deu um tapinha pra lá, um tapinha pra cá. Morto estava, morto ficou.

Foi até a gaveta de calcinhas, apanhou o Troço e voltou para observar Adneide. Olhou novamente para o membro. Colocou o Troço lado a lado com o membro e ficou medindo - pelo espelho. O Troço era um troço e... Deu mais um tapinha...

Cobriu Adneide, fechou a porta do guarda-roupa, guardou o Troço na gaveta de calcinhas, vestiu a cueca, foi até a cozinha - 05 horas da manhã - pegou o litro de cachaça no armário e numa talagada só levou o litro até o meio.

Voltou ao quarto, abriu a gaveta de calcinhas, olhou mais uma vez para o Troço, puxou o elástico da cueca, olhou mais uma vez para o seu membro, largou o elástico da cueca, fechou a gaveta, foi até a cama, deu um beijo no rosto de Adneide, vestiu a roupa, passou na cozinha, deu mais uma talagada de cachaça e saiu para trabalhar.

No ônibus, um troço girando na cabeça... um estranho sorriso nos lábios.
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TõeRoberto-post in férias por aí/br

música: Variada
publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Sexta-feira, 31 / 10 / 08

O ESPELHO

Textos Escolhidos

 

Estive pensando: o que seria de nós se não existisse o espelho?

O espelho não serve só para pentearmos os cabelos, escovarmos os dentes e fazermos a barba, entre outras coisas.

É, também, a nossa consciência.

Humor, dor, perspectiva, preocupação, tristeza, choro, riso, euforia, decepção, raiva, ira, alegria: está tudo lá.

No espelho podemos chamar a nossa atenção. Podemos nos punir. Podemos ter uma conversa franca com a gente mesmo. É o único momento que ficamos cara a cara com esse ser complexo e único: o nós!

O espelho é, além de tudo, o nosso crítico mais feroz.

Quantas vezes você cometeu algum ato infame e depois ficou morrendo de vergonha na frente do espelho?

Quantas vezes você mostrou língua para você mesmo?

E o dedo?

Vai me dizer que você nunca se chamou de babaca na frente do espelho?

Nunca dançou pelado e riu de você mesmo?

Nunca ficou com a cara lambida?

E a autocrítica: Tô gordo! Tô velho! Tô feio! Tô acabado!

O espelho expõe a nossa vaidade.

Perdemos horas e horas na frente do espelho corrigindo as nossas imagens distorcidas.

O espelho, redundantemente, é o reflexo de nós mesmos.

O espelho acompanha o nosso envelhecimento, é um diário das mudanças dos nossos rostos.

É muito paciente, nos envelhece devagar e sem sustos.

Reflete, dia após dia, como se fosse um conta-gotas, as mudanças: uma ruga no rosto, hoje. Um cabelo branco, amanhã. Uma barba branca, depois de amanhã.

O espelho é mágico.

Em um só cabe a humanidade inteira e com uma verdade incontestável: ele não deixa resíduos dos rostos nele refletidos, o que o torna muito seguro para nele refletirmos, escondidos, a nossa solidão irrefletida.
.
(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB

música: Esquinas - Djavan
publicado por Antonio Medeiro às 05:26
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