Homens&Pássaros

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Terça-feira, 17 / 11 / 09

A 14ª pequena história de um dia

Olho pra rua e assisto
ao show que o sol prometeu:
não estou alegre
nem triste
estou pleno feito Deus.

.
TõeRoberto

 

publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Segunda-feira, 29 / 06 / 09

SE EU FOSSE DEUS

Se Eu fosse Deus começaria tudo de novo!

A coisa não tem mais jeito. A continuar assim a minha tão perfeita criação vai se extinguir.

Primeiro Eu arrumaria um jeito - não se esqueça que sou Deus - de sumir com esta praga que tomou conta do planeta: nós!

Sei lá: arrumaria uma prisão-escola numa galáxia distante e colocaria todos nós lá, para que Eu pudesse ficar em paz para dar um jeito de arrumar a bagunça que está aqui embaixo.

A bagunça é tão grande que, mesmo sendo Deus, Eu iria demorar um bocado de tempo pra colocar tudo em ordem.

Vejamos:

A) - diminuir as cidades; devolver aos seus lugares primitivos os rios, os lagos, as montanhas; devolver aos seus lugares as plantas, as flores, os frutos, as aves, os animais, os peixes, as chuvas; verdejar os desertos, refazer as geleiras; refazer o verão, o outono, o inverno e a primavera; despoluir os rios, os mares, o ar, o solo; desaparecer com elementos naturais que Eu criei inadvertidamente: tipo urânio, ouro, diamante, prata, entre outros; desaparecer com políticos, empresários corruptos, os senhores da guerra e da fome; sumir com coisas que possam lembrar, poder, riqueza e cobiça.

B) - Devolver ao planeta as serenatas, a poesia, o modo simples de ser; devolver o contato com a natureza; o céu azul, os luares, os pores-de-sol; aquela pescadinha nas manhãs de domingo; aqueles passeios e namoros na pracinha da igreja, à noite, sem medo; aquele joguinho de futebol no campinho da rua de cima; aquela nadadinha no poço do Seu Delorenzo, no riozinho da pequena comunidade.

C) - Devolver as hortinhas de fundo de quintal, o porquinho no chiqueiro, as galinhas no galinheiro, a cisterna de água límpida e - se um pedacinho a mais de terra - aquela vaquinha leiteira.

D) - Devolver a cortesia, a educação: Bom-dia!, fulano. Boa-tarde!, sicrano. Boa-noite!, beltrano.

E) - Devolver a pureza e a educação aos jovens; a graça e a esperança aos velhos; devolver o prazer de pitar, sem culpas, aquele inocente cigarrinho de palha que sempre fez parte da nossa vida; devolver a virtude, a piedade, a compaixão, a amizade e a bondade aos nossos corações insensíveis.

Isto como primeiro passo. Aí Eu descansaria 07 dias e tiraria, dessa vez, a costela de Eva e nos reinventaria de novo.

Aí Eu pensaria mais 07 dias antes de trazer a praga de volta.

Se Eu fosse Deus sonharia com isto todos os dias.

Apenas sonho, porque sei que mesmo sendo Deus, salvar a minha criação é uma tarefa para o Deus que está acima de mim, o Deus das causas perdidas, o Deus que, de vez em quando, me puxa as orelhas por Eu ter criado o predador que está destruindo a minha própria obra-prima.

Se Eu fosse Deus pensaria nisto.

E acho que deixaria a praga na prisão-escola da galáxia distante por pelos menos uns 20 séculos.

Tempo para que tudo voltasse ao normal.
.
TõeRoberto-post in jampa/pb

música: Variada
publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Terça-feira, 13 / 01 / 09

OS CORAÇÕES

Textos Escolhidos

 

Quando Ariovaldo morreu, o médico ficou perplexo: ele não tinha 01 coração, tinha 02 corações vermelhos... enormes.

Não tinha cérebro: no lugar, o 2º coração.

O médico, na autópsia, descobriu coisas intrigantes a respeito de Ariovaldo.

Por exemplo:

Viu que com o coração nº 01, o normal, Ariovaldo sobrevivia: com ele o sangue circulava, ele respirava... mantinha-se vivo.

Com o 2º coração, o que nasceu no lugar do cérebro, Ariovaldo torcia pelo Flamengo - era Flamenguista, o coração rubro-negro - suspirava, curtia os filhos, amava a mulher, os amigos; ajudava os velhinhos a atravessar as ruas, dava esmolas, alimentava e cuidava de 50 gatos e cães vira-latas.

Com ele agradecia a Deus por tudo que tinha, deixava transparecer sua pureza, seu despojamento, a honestidade da sua alma imaculada e virgem.

Protegia baratas, aranhas, moscas, escorpiões, dava o finalzinho do sorvete de casquinha para uma criança, na rua; aguava as flores do vizinho, dava migalhas aos pássaros, oferecia o último cigarro a quem quer que fosse... vivia no banco de sangue oferecendo o seu para salvar o próximo.

Na autópsia, o médico descobriu também que Ariovaldo não morrera de enfarte, conforme estavam dizendo.

Estava tudo lá. Os corações de Ariovaldo eram 02 livros abertos... 02 diários com uma página cada 01, para cada 01 dos dias dos últimos 30 anos.

Lá estavam: 21.900 páginas com uma única palavra em cada uma delas: - Edileuza.

Ariovaldo morrera com os corações partidos.

Partidos pela indiferença da Prima Edileuza a quem amou, em segredo, por 30 anos e que, hoje, no dia da sua morte, casara-se, sem convites, com o Primo Percivaldo Siqueira.

Casara-se cheinha de amor e sutilezas... com aquele vestidinho vermelho decotado, motivo dos ais e dos suspiros secretos de Ariovaldo.

O médico descobriu 30 pequenas fraturas em cada um dos corações de Ariovaldo.

E 02 grandes fraturas causadas por um grande terremoto - 10 graus na escala Richter - que aconteceu no peito de Ariovaldo: Os 02 corações, num estalo, partiram-se em 04.

Ariovaldo se foi.

No velório, a Prima Edileuza esboçou uma lágrima... e ficou nisso.

Ariovaldo suspirou fundo... e 01 lágrima silenciosa escorreu do seu olho esquerdo.
.
TõeRoberto-11:16-post in jampa/pb

música: Variadas
publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Terça-feira, 06 / 01 / 09

OBSERVAÇÃO

 Poemas Escolhidos

 

Ninguém vê o mar.

Ninguém se dá conta
da sua presença.

 

Todos veem o mar
com a pele
os pelos.

 

Ninguém vê o mar
com os olhos.

 

Eu tento
mas meus olhos
são pequenos.

.
TõeRoberto-post in Jampa/pb

música: A White Shade Of Peale - Pholhas
publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Terça-feira, 09 / 12 / 08

O TEMPO

Poemas Escolhidos

 

Para Eunete T.Nobre, companheira

 

Chegará um tempo, meu Deus!
que ao coração faltará
o sonho, a graça, o encanto
e tudo se acabará.

 

Será, então, esse o tempo
das nossas mãos sem afagos
dos nossos lábios sem beijos
do nosso corpo gelado.

 

Será o tempo dos lírios
nos nossos olhos plantados
perderem folha por folha
sem o úmido de uma lágrima
será o tempo dos sonhos
dos portões semicerrados
das bocas semi-abertas
das visões encarceradas.

 

Será o tempo das lutas
das nossas duras derrotas
serão os pés sem sapatos
os sentidos sem desejos
a garganta sem um grito
nossa alma sem lampejos.

 

Virão as línguas amargas
as memórias sem um selo
seremos todos silêncios
todos hirtos, de joelhos
seremos pó de carícias
violências, desesperos
um canto calado, amorfo
passeando, zombeteiro
por sobre as peles rasgadas
pela farpa dos anseios.

 

Seremos todos julgados
apontados, prisioneiros
das poucas, vagas lembranças
de um tempo que não veio
de um tempo bom, sonhado
que ficou no pesadelo.

 

Seremos todos frutos
do reflexo desse espelho
puras imagens sem vida
debatendo-se, alheios
a todo forma de sonho
esquecida por inteiro
no silêncio das esquinas
no escuro das cadeias.

 

Será, então, nesse tempo
que virão os cativeiros
dos nossos braços feridos
pernas, dentes, sobrancelhas
dos nossos gritos contidos
nas notícias dos correios
que trarão de alguma época
que não se foi e nem veio
um pouco do que pensávamos
que éramos, por desespero
nalguma cidade antiga
uma presença inteira
um riso que se casava
com os meninos arteiros
que éramos nós e os nossos
nos mirando no espelho
de um tempo que foi ausência
foi resíduo, foi um medo
de um tempo que já chegara
nas janelas, nos artelhos
e nós, meu Deus, não sentíamos
dentro da alma este gelo!

.
TõeRoberto-09:20-post in jampa/pb

música: Años - Mercedes Sosa&Fagner
publicado por Antonio Medeiro às 03:59
Terça-feira, 23 / 09 / 08

O PÔR-DO-SOL

Textos Escolhidos

 

- Ontem fui ver o pôr-do-sol da Praia do Jacaré, em Cabedelo/PB.

- Diante do espetáculo sem adjetivos, pensei: é por uma visão dessas que a gente fica com dó de morrer!

- Como é que a gente morre e nunca mais vê uma coisa dessas?

- Tenho minhas dúvidas quanto à presença de Deus no universo, mas diante do pôr-do-sol da Praia do Jacaré, confesso: balancei.

- Fiquei pensando: vai que o Cara tá me sacaneando, fingindo que não existe só pra me tirar um sarro na hora H.

- O espetáculo é único, não há visão mais apaixonante, mais reveladora do que aquilo.

- O nó na garganta é inevitável, e pensamos: graças a Deus estamos vivos!

- Não vou contar o que tem lá pra não estragar a surpresa.

- Só vendo pra crer; vá, vale a pena!
.
(Fonte: Texto – Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB

música: Luz do Sol - Caetano Veloso
publicado por Antonio Medeiro às 04:45
Blog de TõeRoberto

Adamo&Isabelle

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