Homens&Pássaros

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Domingo, 20 / 05 / 12

Sem palavras

Anteontem fui dormir sem palavras.


Sonhei sem palavras.


Acordei, ontem, sem palavras.


Fui ao banheiro sem palavras.


Escovei os dentes sem palavras.


Tomei banho sem palavras.


Vesti a roupa sem palavras.


Conversei com meu amor sem palavras.


Tomei café sem palavras.


Saí pra rua sem palavras.


Entrei no ônibus sem palavras.


Trabalhei sem palavras.


Almocei sem palavras.


Trabalhei de novo sem palavras.


Voltei pra casa sem palavras.


Tomei banho sem palavras.


Comi sem palavras.


Assisti à novela sem palavras.


Fui pra cama sem palavras.


Transei com meu amor sem palavras.


Dormi sem palavras.


Sonhei novamente sem palavras.


Acordei, hoje, sem palavras.


Escrevi este post sem dizer palavra.


E você, caro leitor, ficou sem palavras!


TõeRoberto

publicado por Antonio Medeiro às 17:00
Segunda-feira, 20 / 07 / 09

A LEI

O suor do rosto não se conteve
e teve
superprodução de café
arroz
algodão.

 

Nos campos da terra
o homem anseia
o (p)arar.

 

Mas João!
Há uma lei:
arar arar arar
(p)arar?
Como João?

.

TõeRoberto-post in jampa/pb

música: Variada
publicado por Antonio Medeiro às 05:00
Quarta-feira, 15 / 10 / 08

TALICOISA

Textos Escolhidos

 

Meu saudoso amigo Dedé era um personagem peculiar.

No auge dos seus cinqüenta anos era uma criança.

Comunista da velha-guarda ou melhor Stanilista da velha-guarda, era pessoa extremamente culta: rabiscava o esperanto, o francês e um inglês bastante razoável.

Após uma boa rodada de boa cerveja ficava muito engraçado.

Subia na mesa dos bares, recitava poemas, fazia discursos políticos inflamados e descia o pau nas elites.

Isso em pleno regime militar!

Pessoa de grande coração e humor ele era.

Levantava muito cedo e gostava de tomar o seu café no bar da rodoviária. Era um grande fumante.

Nessas caminhadas de casa até a rodoviária, arrumou um amigo: um vira-lata.

Ia com ele até a rodoviária, sentava aos seus pés e ficava aguardando que ele terminasse o café para levá-lo em casa.

O vira-lata também tomava o seu café da manhã.

Todos os dias ele ganhava um pastel de carne.

Encurtando: não sei por que cargas-d'água, o vira-lata acabou sendo batizado de Tal-e-coisa...Tal-i-coisa e acabou virando Talicoisa.

Dedé percebeu que Talicoisa tinha uma peculiaridade: adorava enterros. Morresse quem morresse, lá estava Talicoisa acompanhando o morto.

Era sempre o último, depois das pessoas.

Saía da porta da casa do morto e o acompanhava até o portão do cemitério. Fosse quem fosse!: Rico ou pobre! Negro ou branco! Gordo ou magro! Fizesse chuva ou fizesse sol!

Essa amizade de Dedé e Talicoisa durou muito tempo, até que também se foi o meu amigo Dedé.

No velório, em sua casa, Talicoisa, como sempre, ficou deitado do lado de fora esperando o enterro sair.

O enterro saiu: só que desta vez, para espanto geral, Talicoisa não se moveu. Onde estava ficou. O enterro saiu: deitado estava, deitado ficou. Não acompanhou o enterro do seu amigo.

Enquanto viveu, foi o único enterro da cidade que Talicoisa não acompanhou.

Isto faz parte da minha memória. Achei bom contar.
.
(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB
.

música: Canção Da América - Milton Nascimento
publicado por Antonio Medeiro às 03:52
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