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Sexta-feira, 25 / 11 / 11

Mãe água

Água potável, água encanada, água doce, água natural, águas passadas,  tomar água, até debaixo d'água, claro como água, com água na boca, água benta, água-benta, água de rosas, cumê água, cumê água mole, cumê água dura, se você pensa que cachaça é água..., as águas vão rolar, a água dos seus olhos, feijão das águas, tempo das águas, águas de março, bebe que nem água, aguardente, água batismal, água boricada, barriga d'água, água de barrela, água mole em pedra dura..., água salgada, água de cal, água mineral, água da fonte, água oxigenada, água do rio, água de farinha, água de javel, água destilada, água encanada, água gasosa, água inglesa, fazer água, tirar água da pedra, água do mar, água da chuva, estância das águas, água sanitária, estação das águas, água-com-açúcar, água de cana, água-de-cheiro, água-de-colônica, água-de-coco, aguaceiro, água de flor, água-mel, água-mãe...


Água! Água! Água!


Estamos todo o tempo atrás dela... falando dela!


No nosso dia a dia é água que não acaba mais!


Estamos acostumados com a fartura... com o uso indiscriminado dela... com "o no Brasil é o que mais tem".


Perigoso e futuro crime!


Absurdos são cometidos em nome da fartura:


Nas zonas urbanas lavamos calçadas, carros, enchemos piscinas, aguamos jardins com água tratada, com esse bem extremamente precioso para enorme fatia da humanidade.


E ainda de quebra envenenamos todos os mananciais localizados nas cidades.


Na zona rural secam os rios e envenenam as fontes, e parece que ninguém tá nem aí pra crime tão inafiançável.


Estamos construindo o caos das gerações futuras.


Estamos construindo o palco para as guerras futuras, o sofrimento sem fim da raça humana.


É só um lembrete:


Como a maioria das pessoas sou apenas um ecologista de botequim e só me lembro da água, de verdade, quando amanheço de ressaca e corro desesperadamente atrás dela.


Já que você aprendeu a usar a água de maneira farta e irresponsável, faça um favor pras gerações futuras:


Comece a educar os seus filhos dando a eles informações e orientações quando ao uso do bem, nem sempre renovável, que sustenta todas as coisas vivas.


Enxergue além da sua casa e entenda:


Está começando a acabar e se ela acabar...


Até a água que você tanto gosta, aquela que passarinho não bebe é feita com água.


Uma boa reflexão!


TõeRoberto

publicado por Antonio Medeiro às 18:05
Sexta-feira, 02 / 01 / 09

DISCURSO

Poemas Escolhidos

 

Com um punhado de lirismo e umas tantas
palavras gastas
sou todo fala na arquitetada praça.

 

Tremo os lábios
engulo as facas
e falo:

 

Falo sob o peso do silêncio
e das faltas
sob o domínio da mordaça
e do capacho.

 

Falo:
a língua salta
a consciência ladra e ataca.

Soam as sirenes
brilham as luzes
mugem as vacas
e a multidão se espalha feito uma
água rasa
uma água rala
sobre o concreto frio da praça.

 

A pulsação é falha
o coração se atrapalha
e eu choro
calmo e silencioso
na solidão cinzenta da tarde.

.
TõeRoberto-10:12-post in jampa/pb

música: A White Shade Of Peale - Pholhas
publicado por Antonio Medeiro às 05:15
Domingo, 07 / 12 / 08

O PLANO

Poemas Escolhidos

 

Conto com você
para o meu plano:

 

eu aro a terra
você vai plantando

 

eu corto o mato
você vai limpando

 

eu busco água
você vai regando

 

eu colho a fruta
você vai transportando

 

eu abro o saco
você vai colocando

 

eu trago a carroça
você vai baldeando

 

eu ponho na balança
você vai retirando

 

eu faço as contas
você fica esperando

 

eu pego o dinheiro
você fica olhando

 

eu sento pra comer
você fica pensando

 

eu olho pra você
lhe dou uma banana.

 

Conto com você
para o meu plano:

 

enquanto eu vou vivendo
você vai macaqueando.

.
TõeRoberto:09:18-post in jampa/pb

música: Disparada - Geraldo Azevedo&Elba Ramalho
publicado por Antonio Medeiro às 04:58
Terça-feira, 11 / 11 / 08

O SOLUÇO

Poemas Escolhidos

 

Um soluço vejo, soluço claro
um soluço frio, mudo, seco
um soluço calmo que, talvez, na certa
será pelo mundo, será pelas plantas
uma dor qualquer no fundo da alma
um gato doente, leite derramado
um dente que dói, sapato rasgado
uma mãe aflita, um fogão sem gás
uma goteira densa, a roupa apertada
mancha na parede, um pneu furado
um grito na noite, um sonho acabado
uma barata tonta passeando a casa
um rato que rói um queijo no prato
um resíduo velho, um rosto apagado
uma angústia fina, sub-reptícia
uma mágoa viva, um desprezo rápido
um feroz desejo, um tostão que falta
um esmalte fosco, um desenho errado
um soluço visto, um soluço claro
um soluço frio refletindo imagens
de sons que conflitam carnes e ossos
de águas que roçam o sangue, os poros
um soluço vindo do andar na rua
do estar bem cedo sem itinerário
sem perspectiva de qualquer afago
de subir escada de ônibus ou carro
de sentir-se vivo por mero acaso
de sentir-se vivo sem qualquer respaldo
para as coisas vistas, as coisas passáveis
pelos seis sentidos, pelos mil reparos
que não foram feitos no estragar da alma
e que agora cedo, com um nó nas formas
torna-se branca água, não potável
e escorre manso por qualquer das faces
que transitam as ruas feito espantalhos
e que soluçam calmas todos seus pesares
de estarem sós ou acompanhadas
pelos seus contínuos gritos de desforra
sem verem que a vida chora
pelos seus soluços que não marcam hora
e podem escorrer na noite, na aurora
ou podem explodir a qualquer momento
como este que veio e escorreu agora.

.
(Fonte: Poema - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB

música: Tocando Em Frente - Almir Sater
publicado por Antonio Medeiro às 05:10
Blog de TõeRoberto

Adamo&Isabelle

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