Nossa fotografia, aquela na parede
com o mar ao fundo
está em movimento.

O mar agitado prenunciando tempestades
balança o barco
e seus cabelos esvoaçam ao vento.

Seus olhos a cada noite ficam maiores
e o cigarro que tenho na mão diminui
a cada dia.

Sua barriga cresce, a filha se anuncia
o mar muda suas cores
o meu cabelo embranquece.

Aquela fotografia vive os dias,
o barco parece à deriva
distancia-se da terra.

Distantes vamos ficando:
um do outro
e do mundo.

Mas a fotografia é vida
estamos mergulhados nela
no meio do oceano imenso.

Meu rosto procura uma ilha
o seu procura galáxias
nós dois estamos sem rumo.

Nossa fotografia resiste
ao sol, à chuva, ao frio
aos anos que ela existe.

Juntos, parecemos tristes
às vezes damos um sorriso
que alguém de longe assiste.

Mas valha o seu movimento
somos nós e nossas vidas
no mais esmerado momento.
(Eunápolis/ba/14:50hs)

publicado por Antonio Medeiro às 09:17