Vou baixar um decreto para a minha vida:

Vou excluir gente triste da minha convivência!

Eu quero distância de gente triste.

Vou deixar os tristes com a sua tristeza.

Os tristes com a sua solidão.

Os tristes com as suas manias de entristecer as tardes... e os amanheceres.

Gente triste é como erva daninha: onde nasce toma conta de tudo, se sobressai com a sua feiura e o seu poder de destruir os momentos inesquecíveis.

Para os tristes a vida é só dificuldade:

É doença.

Fracasso.

É não ter sentido.

É todos os dias serem cinza.

Os tristes não enxergam o sol.

A amor é um fardo.

A música, tortura.

O dia a dia impossível.

Os tristes vivem nas cavernas escuras das suas infâncias reprimidas.

Daquela família triste.

Aquelas regras tristes.

Aquele não poder nunca.

Aquele não sorrir para sempre.

Os tristes não sorriem; às vezes apenas riem por conveniência ou por estarem nervosos.

São críticos ferozes "da alegria", "dos alegres", "dos fúteis", "destas pessoas que vivem rindo", "destas festas", "destes cantos sem motivos", "destas pessoas que vivem a vida de maneira irresponsável", "dos sem-vergonhas".

Os tristes são um fardo.

É pesado conviver com os tristes.

Os tristes deveriam fazer um favor a si mesmo e aos outros.

Deveriam ficar reclusos na sua solidão.

Não deveriam espalhar voluntariamente sua tristeza para a vida.

Ser triste é triste.

Exclua os tristes da sua vida.

Eles nos fazem mal.

Eles enxergam a vida de uma maneira cruel.

Não existe vida boa nem gente boa.

Tudo é feio e tem um motivo sórdido para existir.

Vivem num mundo escuro.

Não conhecem a beleza.

Os tristes são seres que transitam entre a vida e a morte.

Entre a luz e as trevas.

Entre você e a felicidade.

Os tristes não amam, odeiam.

Os tristes são passionais.

Têm as asas de cera.

O coração de gelo.

Os tristes nos deixam tristes.

E tristeza só é bom quando temos um motivo muito triste para ficarmos tristes.

publicado por Antonio Medeiro às 09:23