Asdroaldo procurava uma cueca na gaveta de calcinhas quando deu de cara com o Troço.

Quase teve um troço!

Olhou Adneide dormindo. Olhou para o Troço. Olhou Adneide dormindo.

Não pegou o Troço. Abriu a porta do guarda-roupa, tirou a toalha da cintura e ficou observando o seu membro no espelho: cabisbaixo, meio torto para a esquerda, o saco escrotal murcho - pendurado - o membro dormindo com a cabeça apoiada sobre ele. Deu um tapinha pra cá, um tapinha pra lá. Morto estava, morto ficou.

Foi até a cama, puxou o cobertor de Adneide e ficou observando: a mulher - gostosa - só de calcinha, sem sutiã. Olhou para o seu membro no espelho. Deu um tapinha pra lá, um tapinha pra cá. Morto estava, morto ficou.

Foi até a gaveta de calcinhas, apanhou o Troço e voltou para observar Adneide. Olhou novamente para o membro. Colocou o Troço lado a lado com o membro e ficou medindo - pelo espelho. O Troço era um troço e... Deu mais um tapinha...

Cobriu Adneide, fechou a porta do guarda-roupa, guardou o Troço na gaveta de calcinhas, vestiu a cueca, foi até a cozinha - 05 horas da manhã - pegou o litro de cachaça no armário e numa talagada só levou o litro até o meio.

Voltou ao quarto, abriu a gaveta de calcinhas, olhou mais uma vez para o Troço, puxou o elástico da cueca, olhou mais uma vez para o seu membro, largou o elástico da cueca, fechou a gaveta, foi até a cama, deu um beijo no rosto de Adneide, vestiu a roupa, passou na cozinha, deu mais uma talagada de cachaça e saiu para trabalhar.

No ônibus, um troço girando na cabeça... um estranho sorriso nos lábios.
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TõeRoberto-post in férias por aí/br

música: Variada
publicado por Antonio Medeiro às 05:00