Homens&Pássaros

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Quinta-feira, 14 / 04 / 11

Novos tempos

Sou um dinossauro!

Mas escapei da extinção e me 'modernizei'.

Estava lembrando: porra!, escrevi trocentos textos na minha maquininha portátil da Remington.

Participei de concursos literários - ganhei alguns - usando gramáticas e dicionários para fazer as correções gramaticais e ortográficas dos textos.

É como furar um buraco no concreto com uma picareta.

Principalmente para mim que sou um medíocre conhecedor da língua.

Aos trancos e barrancos fui...

Sobrevivi às dificuldades de ter que "estudar português" para redigir um texto simples.

Fui dessas pessoas que lia muita literatura e textos técnicos.

E dei meus tirinhos nos caminhos da literatura; isso com as mãos e cabeça sangrando.

Hoje estou aqui.

Mas não sofro mais.

Criar é bem gostoso e é gratificante.

E corrijo os meus textos no computador; chique, não?

Dirão os...

Um esquerdista de merda!

Deveria é estar fudendo com o Bill Gates.

Não elogiando a expansão da tecnologia imperialista que... blablablá, blablablá, blablablá...

Problemas com o capitalismo à parte, a idade da pedra já se foi.

Se a tecnologia é mal utilizada cabe a nós mudar isto.

A globalização é um fato consumado, e pronto, e junto com ela se concretiza toda a tecnologia na qual ela se sustenta.

Sou humanista, não sou capitalista.

Mas não posso fechar os olhos e fingir que a tecnologia não existe.

E se ela existe é pra ser utilizada.

Amo a liberdade, a natureza, a beleza, o romantismo e a justiça social.

Mas também corrijo os meus textos nos programas do Bill Gates.

E acho que isto é inevitável!

A cultura e o conhecimento humano estão sendo transferidos para a memória das máquinas.

O capitalismo, infelizmente, se locupleta.

E teremos de suportar isto até o dia do seu juízo final.

É por isto que guardo num cofre de segurança máxima a minha maquininha portátil da Remington.

Para escrever os meus textos no dia em que o sistema entrar em colapso total.

E vai ser um saco voltar a pesquisar gramática e dicionário!

publicado por Antonio Medeiro às 03:20
Quinta-feira, 07 / 04 / 11

Tumulto

Tumulto é o meu nome e se escreve com pólvora
e se escreve nos muros da cidade adormecida.
Cheguei à cidade triste e escalei seus altos muros
com meu nome preenchidos.

Tumulto!
Cheguei agora e estou prestes a eclodir
nas bocas que comem a carne
na carne que engole a carne
nos crimes que vão explodir
nas edições dos jornais
assim que o dia surgir.

Tumulto é o meu nome e se escreve com sangue
nos olhos fundos do homem que está prestes a ruir
que está prestes a mergulhar
nas ondas do fundo mar
à procura de uma paz
que não lhe dá seu país.

O sangue preenche as páginas da história
que escrevi
os sonhos são meros fatos
nas ruínas que ergui
os homens não são mais nada
nas ruas de qualquer cidade:
Helsinque
Havana
e Paris.

O homem destrói o homem
o bicho liquida o bicho
o homem mais se aproxima
do bicho que come o lixo
do que o homem que eu vi.

Há espaço pro tumulto
por isto estou aqui
com minha febre escondida
nas aventuras do gibi.

Tumulto gera tumulto
os homens são meu frenesi
quanto mais eu toco neles
mais eles querem de mim.

Tumulto é o meu nome e se escreve com gritos
na aventura da TV
e se escreve com a fúria daqueles que são assim
meio homens, meio bichos
meio metade de lixo
escondidos pelos nichos
que na cidade incluí.

E todos estão assim
meio homens, meio bichos
meio metade de lixo
escondidos pelos nichos da cidade
que escrevi.

Na peste
a morte é perversa
a morte é atleta
a morte é bela e esbelta
e não para pra dormir.

O tumulto é esta peste
sou eu que cheguei aqui
sou eu que vim dos infernos
pra minha pátria ungir
com a febre de seus homens
e seu sangue ruim e hostil.

Eu sou o tumulto, senhores
e e vim para destruir
enquanto houver silêncio
e o lixo ao homem servir
enquanto houver conivência
e o homem ao homem servir
meu nome gravado na pedra
o homem vai explodir.

Eu sou o tumulto, senhores
venham todos até aqui
toquem meus hematomas
minhas poças de sangue
o ardil
larguem desta cidade
o pesadelo senil
e todos os homens das ruas
venham acender o pavio.
(Santos/Sp-03:30hs/Domingo)

publicado por Antonio Medeiro às 03:48
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