Textos Escolhidos

 

Anteontem escrevi o texto "O PERIGO", uma brincadeira com as pessoas pessimistas.

Recebi um elogio da amiga Fernanda, de São Paulo.

E recebi, do Primo Clovinel, um comentário que poderia muito bem ser a seqüência do meu texto, a partir de: "você está em casa tranqüilo, alegre, descontraído, pensando na vida, quando de repente..."

O comentário:

[Primo Clovinel] - "Home, seu minino! A rua é isso mesmo! Mas em casa é tudo tranqüilo! Tirante a família da casa em frente que resolveu adotar os netos (3) pirracentos, irmãos solteirões brigões e um filho com problemas mentais com inclinações musicais (assobia uma melodia desconhecida o tempo todo). Tirante a filha aborrecente da vizinha de baixo que, coitada, deve ter problemas auditivos pois não sabe falar a menos de 120 decibéis e faz questão de reunir sua turminha na frente da minha casa. Tirante o vizinho de cima, que tem um filho de cerca de 10 anos, aparentemente autista, que fica gritando e batendo objetos ao ser contrariado por qualquer coisa. Tirante pessoas que chamam à porta pedindo remédio pro filho com uma doença rara. Tirante o coletor de lixo que derruba o lixo do vizinho na sua porta por que ele é pão-duro e não embala seus detritos em algo seguro e decente, mas em sacolinhas de supermercado. Tirante o vendedor de plantas, de mel de não sei de onde, de panelas, de tapetes... Tirante... 16:29"

É, Primo Clovinel, numa cidade como São Paulo tirante pessoas civilizadas, educadas, conscientes, de bom senso, a vida tornou-se, realmente, um verdadeiro inferno. Não há limites para a invasão de privacidade. Pessoas fazem do fora das suas casas o seu quintal planetário.

Tirante os sons altíssimos dos carros com alto-falantes potentíssimos, dos equipamentos de sons caseiros, das tvs, dos cultos de muitas igrejas que gritam a céu aberto para o mundo inteiro escutar.

Tirante as brigas, os furadores de filas, a sujeira, os carros em cima das calçadas, os carros em fila dupla, as encheções de saco, as opiniões não solicitadas.

Tirante as piadinhas de mau gosto, as "conversinhas" fora de hora, as maledicências. Tirante todas essas coisas que são feitas no nosso quintal, na nossa cara, a vida até que é razoável, nos limites do nosso lar.

Tirante, ainda, os casos mais drásticos que incluem roubo da sua energia, da sua água, da sua tv paga, da gasolina do seu carro, a vida até que chega a ser tranqüila.

Tirante, enfim, os folgados que infernizam as nossas vidas, podemos até nos considerar pessoas otimistas e felizes, pois temos uma vantagem muito grande sobre eles: somos seres humanos civilizados, nós fazemos as nossas necessidades no banheiro, não na varanda da casa deles.

Tá dito!!!
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TõeRoberto-10:17-post in jampa/pb

música: Uma Brasileira - Paralamas do Sucesso&Djavan
publicado por Antonio Medeiro às 06:41