Textos Escolhidos

 

O meninozinho de carinha suja e olhinhos vivos, filho de D. Madalena Cruz-Credo, chama-se Macedinho e mora lá no fim da periferia da urbanidade dos homens.

"Um pouquinho de comida! Um pouquinho de!..."

(Um homem de terno azul-cinzento ficou bravo na minha frente quando moleques tiraram o pão da boca do cachorro da Rua dos Cachorros).

"Seus moleques!... Capetas!... A prefeitura deveria dar bolas era para vocês!..."

Macedinho tem, nos bolsos furados, uma broa de fubá que aperta com amor.

Na rua, os homens são imponentes; às vezes tomam os pães ou as broas de fubá das mãos e das bocas das crianças indefesas.

Como os meninos ao cachorro.

"Dinheiro prum meio quilo de arroz!..." Deus lhe pague!... Deus lhe..."

As janelas são um amontoado de barras de ferro quadradas e negras dentro da noite fria.

Passos corridinhos, em forma de medo, se movimentam no escuro da cidade e se escondem nas sarjetas da noite.

O homem gordo ronca debaixo de colchas caras.

Macedinho corre pela noite.

Junto dele correm, em silêncio, milhares de olhinhos medrontados, esfomeados e sufocados por nossa omissão consentida.

Os homens dormem seus sonos tranqüilos e sonham, noite adentro, que roubam os pães e as broas de fubá da boca dos meninos adormecidos.

E sorriem absolutos!
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(Fonte - Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB

música: Upa Neguinho - Elis Regina
publicado por Antonio Medeiro às 01:39