Textos Escolhidos

 

O Brasil é um país ímpar.

No Brasil ainda existem coisas que não existem mais.

Há algum tempo eu e Nena, depois de horas exaustivas de viagem, chegamos à cidade de Touros, no Rio Grande do Norte.

Fica no norte do Rio Grande do Norte, exatamente naquele biquinho do mapa onde o Brasil faz a curva e vai embora para o Ceará.

Cansados e com fome, procuramos um hotel e achamos um que tinha restaurante.

Entramos, guardamos a mala, sentamos no restaurante pedimos uma cervejinha e o cardápio.

Cardápio extenso: lagosta, camarão, peixe, marisco, rubacão, sovaco-de-cobra, carne-de-sol, arroz-de-leite, bode, paçoca, feijão-de-corda, fava, buchada de bode, sarapatel, caldinho, galinha cabidela, de capoeira e outras coisas mais.

Optamos pela galinha cabidela e continuamos  a tomar a nossa cervejinha.

Uma, duas, três... quatro cervejinhas depois e... nada da galinha!

Chamei o proprietário e perguntei pela galinha.

Ele sentou-se, bom de prosa, a galinha não ia demorar, começou a beber cerveja com a gente e a contar histórias.

40 minutos depois vejo uma senhora passar com uma galinha viva embaixo do braço.

Passou pra lá, passou pra cá, passou prá lá e eu acompanhando o movimento da galinha.

Pensei!... Será???

Era!, era a nossa galinha: ainda iam matar o bicho pra fazer o nosso almoço.

Fazer o quê?

Pedimos mais uma cerveja, contamos mais umas histórias, demos umas boas risadas e aguardamos mais 01 hora para saborearmos uma galinha realmente maravilhosa.

Descobrimos, depois, que o restaurante não mantinha comida congelada no freezer.

Os ingredientes do cardápio, muitos deles, ainda estavam vivos pela cidade: você pedia o prato e, enquanto a cozinheira ia na rua buscar a comida, você aguardava.

Pode parecer estranho, mas acho que são coisas desse tipo que me faz acreditar que a humanidade ainda tem solução.

Acho que sou muito romântico para viver nos tempos de hoje: tudo é muito rápido e real demais para o meu gosto.
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(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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música: Morena de Angola - Clara Nunes&Chico Buarque
publicado por Antonio Medeiro às 05:38