Pássaros de fogo
rondam nossos olhos
num círculo negro.

Voam!...Voam!...
E não pousam,
não cantam,
não dormem.

Voam!
Somente voam
pelos nossos olhos,
em silêncio,
sem gritos,
sem gemidos,
sem vínculos.

Voam!
E queimam
com suas asas retilíneas
nosso brilho,
nossos cílios,
nossas vidas.

Voam!...Voam!...
E no fundo de nossos olhos
vão construindo ninhos,
e no fundo de nossa alma
vão destruindo os sinos,
e no negro chumbo da tarde
vão defecando o destino.

E voam!...
(São Paulo/Sp)

publicado por Antonio Medeiro às 14:52