Comunico a quem possa ou não interessar no Iraque, no Afeganistão, no Líbano, nos Estados Unidos, na China, em Cuba, na França, na Itália, na Inglaterra, na Argentina, na Oceania, no Canadá, na Alemanha, na Índia, no Chile, no Brasil - para todos os cantos do mundo, enfim - que a minha Neta nasceu.

Uma criança... apenas uma criança!

Com sua carinha indefesa, seus olhinhos fechados, sua boquinha sedenta pela seiva da vida - o seio materno.

Uma criança nasceu!...

Comunico ao Bush, ao Sarkozy, à Merkel, ao Papa, à Rainha Elizabeth, aos donos da Volks, da GM, da Chevrolet, da IBM, da Microsoft; aos donos da Telemar, da Peugeot, da Boeing, da Tam, da Shell, da Texaco; aos donos do Barcelona, do Manchester, do Milan; ao Fidel, ao Chaves, ao Kirchner, à Bachelet, ao Lula que a minha Neta nasceu.

Um acontecimento simples e fantástico: a minha Neta nasceu!

Eu sei que vocês não entendem, da minha parte, tamanha desfaçatez.

Devem pensar que sou louco... ou, simplesmente... louco!

Mas digo: será que os negócios das bolsas, o valor do Dólar, do Euro, do Marco, do Iene, do Peso; o sangue das guerras inacabáveis, as disputas desiguais pelo petróleo, a globalização, o avanço tecnológico, o dinheiro guardado nos paraísos fiscais, a exploração inexorável dos trabalhadores na Ásia, a expansão burra e mesquinha do agronegócio, a hipocrisia da Globo, a insensibilidade dos políticos e dos empresários brasileiros; será que tudo isto é mais importante que o nascimento da minha Neta?

Senhores, por favor!

Parem tudo!

Minha Neta nasceu!

Querem algo maior que ser dono de todo o petróleo do mundo?

Muito melhor que ser dono da Microsoft?

Mais prazeroso que jogar bombas no Iraque?

Mais lindo que o maior pôr-do-sol do mundo?

Mais romântico que uma noite de lua cheia?

Mais gratificante que ser um operário e governar o Brasil?

Senhores, por favor?

Parem as suas guerras, os sofrimentos dos povos, as fábricas de miséria, a construção de mísseis, a confecção de armas biológicas, as reuniões intermináveis, o fundamentalismo religioso e econômico, a destruição do planeta e venham prestar homenagens à vida.

Venham para Natal - Rio Grande do Norte - Brasil - América do Sul - Terra - entrem na fila, peçam licença e olhem, apenas olhem, por um segundo, aquele rostinho iluminado e mágico e percebam que apesar de todas as suas misérias - misérias de vocês - a raça humana ainda pode ter solução.

E que as suas questões de poder - de todos vocês, crianças más - perto destes olhinhos verdes, não passam de fumaça na curta existência humana.

Por favor, sejam humildes!

Dobrem o espinhaço e façam reverências!

A minha Neta nasceu!

A vida se esmera... e o planeta não é mais o mesmo.

Nem eu!!!

Bem-vinda, Nayanna ou Jaya, o mundo te aplaude de pé!

E fiquei mais rico; já tenho dois, agora três!...

publicado por Antonio Medeiro às 07:25