Impossível sorrir quem não sonhar
a casa
a oficina
o artesão
ofícios de leveza
versos finos
verdes linhas de pureza
e paixão.

À oficina doe asas azuladas
mãos de veludo
pés de anjo ao artesão
e atente-se ao mergulho
interminável
na profunda e vasta rosa
da ilusão.

A casa doe a fantasia
já composta
na alada oficina do artesão
e voe leve pelo espaço
do instinto
extrapolando o negro fel
do coração.

Ajuste-se a casa
o fino pólen dos suspiros
e os excitantes elementos
do artesão
e ao silêncio da oficina
do menino
prenda-se um canto
de certeza
pequenino
com o carinho que restar
em casa mão.

Cortem-se os medos
as feridas
os desatinos
com a faca sem perfil
do frio não
e sobrevoe lentamente
os abismos
que se interpõem
entre a oficina e o artesão.

Às patéticas noções de vandalismo
incrustadas nas ruínas
do artesão
junte-se um pouco do silêncio da oficina
semiencantada pela fada
da emoção.

Renda-se um pouco
da dureza dessa vida
a um instante dessa casa
em construção
solte-se a alma
não os lábios
nem os dentes
e sorria sem mover
o ressecado
e indolente hirto corpo
do artesão.

publicado por Antonio Medeiro às 09:24