Estive observando: o ser humano se evita e cada vez mais se aglomera para sobreviver.

Pense um edifício: uma ilha de gente que mal se conhece, mal se cumprimenta - individualista - que paga as mesmas contas, trabalha em lugares diferentes e convive com os mesmos problemas inerentes à convivência em grupo.

É como estar perdido numa ilha cheia de regras: isto pode, isto não pode, aquilo pode, aquilo não pode.

É uma ilha onde todos se vigiam, onde quem quebra as regras é punido de acordo com a lei das regras.

O sujeito é individualista, mas não é só; ele tem que pensar pelos outros, se conter pelos outros, fazer a vontade dos outros.

É um ser sozinho ligado ao preâmbulo da lei, fadado ao silêncio imposto, às paredes do seu habitat, à sua própria solidão.

E quando menos espera é invadido, torturado, acuado pelos quebradores de leis: os barulhentos, os malcheirosos, os folgados, os libertários das causas próprias... os que criam, mas não seguem as leis.

E o sujeito se esconde atrás da madeira da sua porta, dos tijolos da sua parede, do som da sua música, da sua televisão, ou atrás da lei, para se esconder da vida que ruge ameaçadoramente lá fora.

A ilha é a metáfora do nosso isolamento.

Odiamos ficar sozinhos, mas a convivência vertical nos leva a enxergar o horizonte deserto, porque, na ilha, a vida ou está acima ou abaixo de nós, numa pirâmide fria de rostos e almas disformes.

E nela passamos nossos dias à espera do grande navio.

O que nos levará além do horizonte azul.

O que nos revelará a vida no sentido horizontal, como ela é.

.

TõeRoberto-05:078

publicado por Antonio Medeiro às 05:00