Homens&Pássaros

 
Quarta-feira, 18 / 04 / 12

Desabafo

Diante das atuais circunstâncias, só tenho 5 opções na vida:


Ou corto os pulsos, me enforco, como vidro moído, bebo até morrer, ou me afogo no vaso sanitário.


Drástico, não?


Pra você também seria se você estivesse devendo R$10.543,50 para o Visa, R$3.981,43 para o Mastercard, R$4.151,75 de aluguel, R$7.420,94 de cheque especial, R$2.739,80 de telefone, R$4.942,51 da faculdade dos filhos, R$875,00 para o vizinho, R$2.139,00 de cheques pré-datados para o PãodeAçúcar, R$2.387,97 da pensão dos filhos, R$983,40 na oficina mecânica, R$431,84 na padaria, R$2.451,80 de conta de luz, R$1.493,78 de conta de água, R$658,77 na farmácia, 15.000,00 para um monte de amigo, R$4.546,60 no boteco da esquina, etc., etc., etc.


Você tá pior que eu?


Impossível!


Se estiver, você precisa de alguém pra te ajudar.


Alguém pra passar super bonder no dedo, rolar no vidro moído e introduzi-lo no seu orifício anal pra ver se você cria um pouco de juízo.


Só assim ficaria pior.


Que aí, além de dever pra cacete, você estaria levando no furico.


E eu vou dizer, meu amigo:


Isso não é ficção!


Qualquer semelhança com a sua vida real não é mera coincidência, é intencional.


Dever, no Brasil, é um ato cívico.


Sem dividas, sem mordomias.


E todos os agiotas: particulares, bancos, administradoras de cartão de crédito e o governo agradecem.


Afinal, o governo não investe parte do dinheiro da sua agiotagem nas universidades?


O governo não é um grande formador de idiotas?


De consumistas compulsivos?


Pois é!


Bem-vindo ao clube!


E se quiser se matar entre na fila.


TõeRoberto

publicado por TõeRoberto às 23:57
Quarta-feira, 21 / 03 / 12

Multiplicando o DNA

Xinguem-me, execrem-me, fodam-me...

 

Me chamem de babaca.


Mas este negócio de multiplicar DNA é um saco.


Uma filha com a sua cara?


Legal!


Um filho com o seu gênio?


Deus nos acuda!


E o que é o DNA na prática?


Um moço, uma moça, bonitos, pintosos, fofos que, na prática, gostam de você?


Mais ou menos.


Na verdade eles são pessoas adultas que questionam o tempo todo o seu modo de educar... de conviver.


E você fica o tempo todo tentando convencê-los que a vida é foda.


Que se não correrem atrás do prejuízo a danada vai mastigá-los.


Vai degluti-los como um bombom macio e doce.


E daí?


É o que dizem.


Eu fico olhando e pensando.


A juventude, os filhos, pensa que a mordomia oferecida pelos pais é eterna.


Esquecem que morremos e que vão ficar no mundo com a sua rebeldia sem causa.


Com os seus 'gênios' difíceis sem ninguém para suportá-los.


Porque o mundo longe da barra da calça/saia do papai e da mamãe é de crueldade extrema.


E só vão entender isto daqui alguns anos.


Quando, talvez, seja tarde demais.


É uma pena!


Eles resistem à nossa tentativa de vê-los bem, tranquilos e felizes.


Vivendo num futuro próximo.


Educando seus filhos para a vida com mais competência que nós...


Que vivemos dando murro em ponta de faca, carregando água com a peneira...


E com o coração na mão!


TõeRoberto

publicado por TõeRoberto às 18:14
Sexta-feira, 09 / 03 / 12

Lua alcoólica

A mulher e a caipirinha

o demônio e o inferno

dentro de mim.


Ninguém me mataria hoje

ninguém me beijaria

ninguém me cuspiria

ou xingaria minha mãe.


Ninguém sabe

mas há muito tempo

a vida não termina hoje

nem amanhã

quem sabe no mês que vem.


Não me importo:

amor, posição, dinheiro

as três estações do homem

ninguém sabe, nem saberá!


A noite comprida

esta rua estreita

ninguém sabe o que será.


Sejamos compreensivos

com esta lua alcoólica.


Vem comigo

a mulher espera

com as tetas...
e o cigarro na boca.

Ninguém sabe

mas a mulher espera

há mil e novecentos anos

ela espera que a gente entenda

que nas tetas malabaristas

está escondida a vida.


Ninguém sabe, nem saberá!

 

TõeRoberto

publicado por TõeRoberto às 20:11
Sexta-feira, 02 / 03 / 12

Comeram meu 'S'

Eu nasci com um 'S' no final do meu sobrenome.


A burocracia, com o passar dos anos, comeu o meu 'S'.


E comeu o 'S' do sobrenome da minha mãe.


E comeu mais alguns 'Ss' que meus parentes ainda não descobriram.


E a ausência do meu 'S' está, hoje, transformando a minha vida num personagem Kafkiano.


Perdi a minha identidade, tirei outra.


Aí a burocracia devolveu o 'S' roubado da minha mãe.


E o 'S' ressuscitado da minha mãe passou a infernizar a minha vida.


E descobri, perplexo, que depois de tantos anos trabalhando, recebendo salário, pagando imposto, fazendo empréstimos, eu não existo mais.


Fui abrir uma conta no banco:


Eu, com minha identidade nova - com o 'S' ressuscitado da minha mãe -, não existo mais pra Receita Federal.


Não posso abrir conta, não posso fazer crediário, não posso comprar um imóvel, não posso casar, não posso fazer nada... nem morrer!


O sistema só me reconhece com o 'S' roubado da minha mãe.


Com ele de volta me transformei num ser virtual, que só existe pra família e amigos.


Dizem que é fácil consertar.


É só devolver à Receita Federal o 'S' da minha mãe.


Mas tenho certeza que quando eu fizer isto alguém vai chiar.


Posso não receber o meu salário, posso não poder movimentar a minha conta que tem mais de 30 anos, posso ser preso indevidamente.


E tudo por conta de um pequenino 'S', de quem, por sinal, nem sou muito fã.


De uma coisa eu tenho certeza:


Esse 'S' ainda vai dar muito que falar.


A burocracia é uma senhora muito cruel, lerda... e burra!


E mora no Brasil!


TõeRoberto

publicado por TõeRoberto às 18:04
Sexta-feira, 24 / 02 / 12

Reflexões sobre a vida

A maioria das pessoas que conheço se vangloria do amor, do relacionamento... da vida.


São os tais!


Têm tudo sobre controle!


A relação com o companheiro/companheira, rebeldia dos filhos, falta/excesso de dinheiro, estilo de vida.


São extremamente competentes em tudo que se relaciona à convivência homem/mulher, homem/sociedade, eles com eles mesmos.


São verdadeiras fontes de competência e equilíbrio.


O que acontece comigo?


Tudo é tão díficil!


Enxergo a maioria das pessoas infelizes, inclusive eu, minha companheira, meus filhos, meus amigos.


Falta algo no relacionamento humano; muito no familiar.


Parece que tudo é ensaiado e todos os passos e atitudes são previsíveis.


Parece que temos um contrato virtual onde fazemos de conta que não temos problemas.


E temos que parecer felizes, principalmente depois que plantamos uma árvore, temos um filho e escrevemos um livro.


E o sistema se sustenta!


Agradece!


Amanhece mais forte a cada segunda-feira.


E cria fantasias, felicidades subliminares escondidas na feiura da sua beleza metafórica.


E vamos destilando a nossa felicidade amarga nas faturas dos cartões de crédito, nos paredões do BBB, na nossa responsabilidade forçada, no faz de conta que está tudo bem.


E vamos nos locupletando nas conversas atravessadas deste grande idiota que é igualzinho a todos vocês.


Acredita em passarinhos verdes.


Acredita na beleza inadiável do futuro.


Acredita que o ser humano é encantado.


Que já encontrou o seu Shangri-La...
 

Só que não sabe como abrir a porta.


TõeRoberto

publicado por TõeRoberto às 18:07
Sexta-feira, 17 / 02 / 12

A respeito da fêmea

Aposto que você pensava:
 

Eu sou homem; ela, mulher; eu sou macho; ela, fêmea; eu posso, ela não pode!


Que você desfilava o seu perfil:


Macho, gostoso, bonitão; eu posso, eu faço; ela não faz.


Era assim?


Era!!!


Hoje, meu caro, quem vai pro terapeuta é você.


O posso, o faço, o mando, o desmando, o como, o não como já eram.


Além do mais, hoje em dia, ela também gosta da sua bundinha.


Independente, gostosa, bonita, feia:


Ela pode, ela faz, ela não faz; manda, desmanda, dá, não dá.


Agora é assim!


Você é um adendo... um adorno.


A fêmea avança.


Você se encolhe com essa merdinha/merda/merdona que tem no meio das pernas - não importa o tamanho, a insegurança é a mesma -, e tenta esconder o constrangimento, cada dia pior.


Porque ela, a fêmea, aprendeu que o seu pedacinho do céu é perfeito:


Insaciável, renovável, incansável, lavável, cobiçável...


Às vezes amedrontador e, por tabela, broxador.


E vamos ficando obsoletos; o nosso futuro é o esquecimento.


Ainda vamos no transformar em peças de museu.


Porque agora, meu amigo, nem pra pagar o cabeleireiro e reproduzir ela precisa de nós.


Mas ainda assim, com toda a justiça do mundo, nos resta uma saída:


A maravilhosa, fantástica, humana e libertária punheta.


Saravá!!!


TõeRoberto

publicado por TõeRoberto às 18:03
Sexta-feira, 10 / 02 / 12

À procura de Jesus

Solteirona, 38 anos, Marizilda, desde os 07 anos de idade, andava à procura de Jesus.


Ninguém sabia se ela O havia encontrado porque, com certeza, não era muito convincente nos seus discursos do dia a dia.


Mal-humorada, tensa, nervosa, irritadiça... às vezes O negava em suas preces secretas.


Poucos amigos, igreja de segunda a segunda.


Canais de tv, só os que transmitiam programas religiosos.


Livros, só a Bíblia ou similares.


Penitências, novenas - terço na mão onde estivesse.


Uma mulher de 38 anos, traços bonitos, recatada, sufocada pelo mar da fé.


Uma manhã, a fatalidade:


O sacristão da igreja da comunidade se foi - ataque cardíaco fulminante.


Choros, velório, enterro, mas a vida continua.


Foi providenciado outro sacristão.


15 dias depois, Marizilda, ao chegar à igreja, deparou com um rapazote dos seus 23 anos fazendo uma arrumação no altar.


Marizilda ficou olhando.


O rapaz era bonito - pensou -, e ficou corada.


E levava jeito no arranjo das flores, na arrumação geral do ambiente.


Ficou ali de pé.


Olhava, com curiosidade, a arte do rapaz.


Nisso, ele se vira e crava os olhos verdes - como os de Jesus - nos olhos azuis de Marizilda.


Ela corou novamente e deixou cair o terço - nervosa.


Ele se aproximou, abaixou-se, pegou o terço e entregou a Marizilda.


Ela corou novamente.


Ele se apresentou:


Sou o novo sacristão, meu nome é Jesus.


Corou 450 vezes sucessivamente, ficou tonta, o chão faltou-lhe, agarrou no encosto do banco pra não cair, e sentou-se.


Zonza, ainda ouvia a voz do rapazote:


Sou o novo sacristão, meu nome é Jesus.


Não conseguia entender o que se passava com ela.


Rezou em silêncio 09 ave-marias, 11 pais-nossos, 05 salve-rainhas e mais umas 30 orações que conhecia.


Jesus ficou ali tentando acudi-la.


E quanto mais ele pegava as mãos de Marizilda pra confortá-la, mais tonta ela ficava, mais ela rezava intimamente, menos ela entendia o que se passava com ela.


E do nada, com Jesus segurando suavemente as suas duas mãos e com os olhos verdes cravados nos seus olhos azuis, Marizilda sentiu um fogo, uma onda quente subir pelas pernas, passar pelas coxas, pelo meio das pernas, pela barriga, pelos peitos e subir para a cabeça.


Amoleceu de vez e teve um arrepio que chacoalhou seu corpo inteiro e, por um segundo, pensou estar tendo um ataque epiléptico.


E teve outro...


E outro...


E outro...


E outro...


Sem perceber, havia encontrado Jesus.


TõeRoberto

publicado por TõeRoberto às 18:02
Blog de TõeRoberto

Adamo&Isabelle

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